Solidariedade

Projeto Família Acolhedora abre cadastro para interessados

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Objetivo é receber temporariamente crianças e adolescentes, cujas famílias estejam impedidas de exercer sua função primordial de proteção e cuidado; tempo máximo de acolhimento é de dois anos; interessados devem ter disponibilidade

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Para informar sobre o Família Acolhedora, funcionários da Prefeitura realizaram ações em um shopping
Para informar sobre o Família Acolhedora, funcionários da Prefeitura realizaram ações em um shopping (Foto: Divulgação)

Você já pensou em acolher na sua casa temporariamente uma criança ou adolescentes em situação de violação de direitos? Pessoas interessadas em participar do serviço Família Acolhedora estão sendo cadastradas pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas). O projeto visa oferecer este tipo de acolhimento àqueles cujas famílias estejam impedidas temporariamente de exercer sua função de proteção e cuidado. Os interessados em participar devem procurar, a qualquer tempo, a Coordenação de Acolhimento, na sede da Semcas, na Avenida Senador Vitorino Freire, Edifício Cesário, n° 29 - Anel Viário.

Para se cadastrar no projeto, é necessário ao processo de habilitação ter moradia fixa em São Luís; disponibilidade de tempo para cuidar da criança ou adolescente; ter mais de 21 anos; ser saudável para zelar pelo acolhido; garantir a frequência na escola, a convivência familiar e ter a concordância de todos os membros da família para o possível acolhimento. Além disso, é necessário não ter interesse em adoção, já que uma das principais características do serviço é promover a reinserção do acolhido a seu núcleo familiar de origem.

É preciso ainda apresentar os seguintes documentos: RG e CPF (cópia autenticada); comprovantes de renda e residência (cópia); atestado de Idoneidade Moral (original com firma reconhecida); atestado médico físico e mental; certidão negativa de antecedentes criminais estadual e certidão negativa de antecedentes criminais federal (originais).

Aptos
De acordo com a titular da Semcas, Andréia Lauande, o projeto conta atualmente com seis famílias cadastradas e aptas para o acolhimento, tendo dois adolescentes inseridos em famílias acolhedoras. O serviço oportuniza a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e violação de direitos uma convivência mais familiar e comunitária, ao invés do acolhimento institucional em abrigos coletivos.

"A filosofia do projeto é exatamente esta: desinstitucionalizar o serviço de acolhimento. Por isso estamos sempre nos mobilizando para sensibilizar a sociedade e estimular a adesão de um número cada vez maior de famílias interessadas em acolher. O que queremos é fazer com que essas crianças tenham uma vivência mais familiar que institucional, fazendo com que o menor saia de um lar para outro lar e que não perca a referência de família, aspecto tão importante para o seu desenvolvimento psicossocial e emocional", observou Andréia Lauande.

A secretária explicou ainda que o acolhimento feito por famílias acolhedoras dura o tempo máximo de dois anos, até que a situação da criança ou adolescente se restabeleça e ele possa retornar à sua casa de origem, como aconteceu com o garoto R.F.C.R, 8 anos, que retornou ao seio de sua família, após intensa articulação da Semcas para proporcionar ao menino o destino que ele sonhava. O garoto vive agora no Rio de Janeiro, com uma de suas tias, que foi considerada apta a tutelar o sobrinho, em parecer emitido pela Primeira Vara da Infância e Juventude daquele estado.

Outro exemplo de reintegração é o caso do garoto de 5 anos, R.P.S.R, que, após ser acolhido por uma das famílias voluntárias do projeto, voltou a morar com a mãe, no município de Santa Rita. A grande maioria das crianças aptas a serem acolhidas nessa modalidade de atendimento são menores vítimas de agressões físicas e psicológicas, negligência familiar, abuso e exploração sexual, e que necessitam ser afastadas temporariamente do convívio familiar.

Projeto
O projeto Família Acolhedora é uma modalidade de atendimento inserida no Plano Municipal de Acolhimento Institucional e Familiar para Crianças e Adolescentes, desenvolvida pela Prefeitura de São Luís. Durante o período de acolhimento, a família cadastrada recebe ajuda de custo mensal de um salário mínimo, para despesas com alimentação, higiene pessoal, lazer, material de consumo e vestuário. Além disso, a família e o acolhido receberão acompanhamento pela equipe técnica do serviço, composta por psicólogos e assistentes sociais.

O acompanhamento é realizado por meio de rodas de conversas entre as famílias acolhedoras e as de origem. Se for o caso, equipes técnicas também realizarão acompanhamento individual e visitas domiciliares. O serviço não é de adoção e a criança ou adolescente deve permanecer com a família acolhedora no prazo máximo de dois anos. No entanto, dependendo da situação de violação e constatada a falta de condições da retomada do convívio com a família de origem, o prazo pode se estender.

A família da pedagoga Gorete Vasconcelos, 63 anos, é uma das que integram o projeto como voluntárias ao acolhimento familiar. "Há uma troca muita grande de amor entre nós e as crianças que acolhemos. Sem dúvida, é uma experiência fantástica poder cuidar desses meninos e meninas por um tempo, mas também devemos estar preparados e cientes de que não é adoção e que o tempo deles conosco é provisório", disse a pedagoga.

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