Transtornos

Chuva forte deixa rastro de problemas na Avenida dos Africanos

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Com a chuva que caiu na madrugada, problemas de infraestrutura ficaram evidentes; na Av. dos Africanos, galerias entupiram e transbordaram

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Chuva forte deixa rastro de problemas na Avenida dos Africanos
Avenida dos Africanos ficou alagada durante a manhã de ontem; parada sem proteção contra a chuva (Foto: Paulo Soares / O Estado)

SÃO LUÍS - Com as fortes chuvas que atingiram São Luís desde a madrugada, vários pontos da cidade ficaram alagados e apresentaram problemas de infraestrutura. Na Avenida dos Africanos, a água que empoçou na via camuflou vários buracos e desníveis, o que se tornou um perigo para motoristas e transeuntes.

No cruzamento das avenidas dos Africanos e Vicente Venâncio de Queiroz, em frente a uma concessionária de veículos, o asfalto ficou coberto pela água da chuva, dificultando a visibilidade da pista para motoristas, na manhã de ontem.
Situação considerada grave pelo mototaxista Wilson Sousa, de 40 anos, que tem seu posto de trabalho próximo ao local.
“Isso é extremamente perigoso para nós, principalmente quando andamos por ruas que não conhecemos. O desnível, os buracos e outros problemas na pista põem em risco o nosso trabalho”, disse.

Wilson Sousa falou também sobre o dano que isso pode causar a eles, como profissionais, e aos clientes. “Em uma situação como essa, a gente está levando um passageiro para seu destino e caímos em um buraco, como já aconteceu. Teremos ainda de comprar remédio para o passageiro, levá-lo ao hospital. Eu já tive vários prejuízos com pneus que estouraram, calhas que ficaram empenadas, transmissões deram problema, entre outros”, relatou.

Somado a isso, uma obra da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) que está sendo realizada na avenida, em frente a uma escola, tornou o trânsito mais complicado, pois o barro retirado se transformou em lama, com a chuva., inundando a pista.

Galerias transbordando

Um dos motivos para a Avenida dos Africanos estar com grande concentração de água em vários pontos é o fato de que várias galerias não suportaram a quantidade de água da chuva e transbordaram. Essa situação foi percebida em vários pontos daquela via.

Na Rua Ivan Sarney, área da Vila do Governador, no Sacavém, a obra de uma galeria inacabada, além de jogar a água de esgoto na Avenida dos Africanos, oferece grande risco aos moradores daquela rua, pois a galeria não foi totalmente coberta.

O marceneiro Messias Santos, de 52 anos, que tem uma loja no começo da rua, disse que o problema já se estende por quase uma década. “Eu trabalho há nove anos aqui e esse problema nunca foi resolvido. Quando chove muito, eu tenho de limpar a galeria para não perder meus clientes, já que ela transborda e as águas de fezes ficam passando na porta do meu estabelecimento”, disse.

Segundo moradores daquele bairro, várias crianças já caíram na galeria, ficando com ferimentos e sérios problemas de saúde, com infecção causada por a água de esgoto.

Uma dessas crianças foi o filho da dona de casa Maria Pereira Brandão, de 37 anos, que teve um ferimento na cabeça. “O portão da minha casa estava aberto e ele tinha pouco mais de 1 ano. Ele saiu para brincar e caiu dentro da galeria, bateu a cabeça e teve traumatismo craniano, além de várias infecções e problemas na pele por causa da água de esgoto”, comentou.

Buracos ficaram encobertos pela água, e sofá velho foi jogado na via (Foto: Paulo Soares / O Estado)

O pai da criança, o vigilante Gracivaldo Cardoso, de 48 anos, falou das medidas que tomou diante do problema. “Nós procuramos os órgãos responsáveis, me parece que a Semosp, e descobrimos que lá constava como se a obra já estivesse pronta e a rua, toda asfaltada, pelo menos nos papéis deles. Nós processamos a Prefeitura e já ganhamos em duas instâncias. Agora, está em Brasília”, declarou.

Falta de abrigos

Ainda na Avenida dos Africanos, vários pontos em que os passageiros de transportes coletivos ficam aguardando os ônibus não têm cobertura, fazendo com que eles tenham que se proteger da chuva e também do sol.

A operadora de caixa Jacilene Gomes, de 35 anos, disse que esse é um problema antigo. “Eu tenho que ficar me protegendo da chuva pelas casas aqui vizinhas e, às vezes, do sol escaldante de meio-dia, quando vamos ao trabalho. É muito complicado ter de passar por essas situações diariamente, por causa da falta de abrigos”, concluiu.

Outro lado

O Estado entrou em contato com a Prefeitura de São Luís para tratar dos problemas de drenagem na avenida, do caso da galeria que oferece risco à população na Rua Ivan Sarney e saber das medidas diante da falta de abrigo para os passageiros do transporte coletivo. A Prefeitura não retornou os contatos até o fechamento desta edição.

Sobre a data de conclusão das obras que estão sendo desenvolvidas e se, após elas, a pavimentação asfáltica da via será recomposta, a Caema informou que iniciou na manhã de ontem, implantação de trecho de interligação para recolhimento de esgoto na localidade com vistas a envio de efluentes para serem destinados a Estação de Tratamento de Esgoto do Bacanga (ETE). O serviço está em plena execução e sua conclusão dependerá do andamento dos procedimentos técnicos a serem realizados, incluindo-se aí a questão do recapeamento asfáltico, que requer fases preliminares, como imprimação do solo, e outros pontos que dependem de condições impostas pelas chuvas.

SAIBA MAIS

Durante o temporal, um raio atingiu uma residência na Rua 13, no Conjunto Bequimão, causando pânico nos moradores e danos em eletrodomésticos, além de fiação e interruptores. “Foi um momento de pânico. Minha filha, minha mãe e meu irmãos ficaram muito assustados”, disse o morador, que não quis se identificar. A força da descarga elétrica foi tão grande que toda a rua ficou sem energia durante todo o dia. A Companhia Energia Elétrica do Maranhão (Cemar) realizou o conserto no período da tarde, mas algumas residências ainda continuaram com problemas. Outras casas também tiveram eletrodomésticos queimados.

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