Música

Na mira musical de Luê

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Cantora nivela suas raízes e novas experiências musicais em “Ponto de Mira”

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Luê lança o disco Ponto de Mira
Luê lança o disco Ponto de Mira (Foto: Divulgação)

SÃO PAULO- O ponto de mira é milimetricamente calculado por quem anseia o alvo; é a posição mais perfeita que se pode ter ali. Mas Ponto de Mira (Natura Musical) é também o nome do segundo disco de estúdio de Luê. Nele, a cantora encontra o ponto exato de equilíbrio entre a experimentação com a música eletrônica e acordes de rabeca e violino, encaixados de maneira certeira nas canções. O resultado é uma tradução do que a artista é: alguém representada tanto pela linguagem tradicional das cordas quanto pela moderna dos sintetizadores.

O músico Zé Nigro é o produtor de Ponto de Mira (2017) e o responsável por fazer transparecer esse momento de Luê. Vivendo em São Paulo há cinco anos, a cantora sentiu a atmosfera urbana como inerente no momento de criação do disco: “nesse trabalho eu saio bastante da região Norte e vou explorar outras vivências, outras formas”, aponta. As primeiras inspirações para o projeto chegaram em 2015, com ideias para as bases eletrônicas, agora executadas pelo músico Curumin. Para Luê, “ter começado com os instrumentos eletrônicos mostrou os caminhos que o disco tomaria”. O especialista em música jamaicana Victor Rice assina a mixagem do CD.

A rota de “Ponto de Mira” é baseada em momentos sentidos, vividos e pensados pela cantora que já tem “A Fim de Onda” em seu currículo. A produção de 2013 foi assinada por Betão Aguiar, que indicou Zé Nigro para delinear o novo álbum, ainda mais autoral. Seis das dez faixas são coescritas por Luê e outros artistas. É Nigro, também, quem toca o baixo em quase todas as novas músicas. Para ambos os trabalhos, Luê recebeu a chancela do Natura Musical.

O single “Esse Amor”, lançado em julho, abre a tracklist apontando para algumas das principais referências desse trabalho: vocais leves, sonoridade sensual e eletrônica e composição inspirada nos sucessos e insucessos dos amores. As entradas da rabeca no pano de fundo das frases arrematam a ambientação dramática da canção.

Sensualidade

“Sensual”, outra palavra que norteia o disco, é sentida no arranjo escolhido para esta releitura de “Cheiro de Saudade”, de Alceu Valença. “É uma música que vai se despindo aos poucos. Começa meio rastejante, meio preguiçosa, e no final ela se revela”, comenta Luê.

A música caribenha serve de inspiração para a terceira faixa de Ponto de Mira, “Chega Logo”. A produção da canção é compartilhada entre Zé Nigro e o produtor e músico da banda Baiana System, Mahal Pita, que “dá a pressão nos elementos eletrônicos que a canção precisava”, diz a cantora.

Escrita a três mãos, “Já Sei” repete a parceria entre Luê, Betão Aguiar e Arnaldo Antunes. Este último já tinha contribuído na faixa homônima ao primeiro disco da cantora, “A Fim de Onda”. “Ele é o mestre das palavras e eu acho incrível como ele se utiliza delas dentro de uma música. Deu vontade de repetir esse processo criativo com ele”.

O meio do disco é marcado por “É Cedo” e seu teclado a la anos 80. Os timbres reforçam a atmosfera dramática – demandada, de acordo com Luê, pela própria letra. Os solos de guitarra são entoados pelo músico Catatau, conhecido por seu trabalho na banda Cidadão Instigado.

É a voz de Luê (entoada de três maneiras diferentes, mas simultâneas ao longo de toda música) que guia “Calma”, feita por Luê junto do artista russo Alex Tea. A terra natal da cantora aparece com força em “Sete Saia”, de autoria de Kiko Dinucci, sob os acordes tradicionais do mestre da guitarrada, Manoel Cordeiro, conterrâneo de Luê. “Absorvi as palavras como se eu mesma as tivesse escrito. A canção fala de aceitação dos meus anseios enquanto mulher, da vontade de ir e vir, de quebrar essas estruturas que são impostas a nós, de romper com todos os tipos de castrações às quais somos submetidas”, comenta.

“Sete Saia” é uma das faixas que remetem Luê às suas origens em Ponto de Mira, junto de “Chega Logo”. Saulo Duarte, que escreveu a última com a cantora e que também é de Belém do Pará, toca as guitarras-base do disco.

O tempo entre este lançamento e A Fim de Onda culminou com uma maior intimidade de Luê com as cordas. “Explorei a rabeca muito ao longo do tempo e isso me trouxe mais coragem de encontrar espaços para ela nesse novo disco”, diz. Em Ponto de Mira Luê a toca em três faixas e em outras duas entra em cena o violino.

O momento da cantora é, como a própria descreve, de “respeito à sua natureza e ao seu desejo”. O retorno para si também pode ser sentido num cantar mais leve e solto, que fluiu de maneira natural pelas canções. “Existe uma força muito mágica quando essa porta se abre. Acho que a inquietação foi o combustível”, completa.

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