Mudança

Comerciantes do Anel Viário resistem e querem indenização

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Devido a obra de requalificação na área, proprietários serão retirados; donos de estabelecimentos de alvenaria poderão não ser indenizados; alguns vendedores sugerem local para trabalhar

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Barracas deverão ser retiradas do Anel Viário para obras de revitalização do local
Barracas deverão ser retiradas do Anel Viário para obras de revitalização do local (Foto: De Jesus / O ESTADO)

SÃO LUÍS - Comerciantes que atuam no Anel Viário dividem opiniões em relação a determinação da Delegacia de Costumes do Maranhão para a retirada das barracas do local devido a irregularidades. Donos de estabelecimentos comerciais em alvenaria resistem às mudanças e alegam que só abandonam o local caso sejam indenizados ou que a Prefeitura construa um novo imóvel. Outros vendedores apontam para qual feira ou praça querem ser deslocados e aguardam uma resposta.

Comerciante há 10 anos no Anel Viário, em São Luís, Ronnie Elves, de 31 anos, está apreensivo de ter o seu estabelecimento de alvenaria demolido devido a uma reforma que será realizada pelo Governo do Estado em parceria com a Prefeitura de São Luís. Ele herdou o comércio do pai e é de lá que tira o sustento da família. “Espero que eles indenizem todos nós ou façam uma reforma aqui. Isso é o nosso serviço. É daqui que tiramos o sustento dos nossos familiares”, explicou Elves.

Proprietária de um restaurante há mais de 40 anos no Anel Viário, dona Maria Helena, de 65 anos, não aceita ter que deixar o seu estabelecimento sem ser indenizada. “Eles podem até nos tirar daqui, mas têm que indenizar. Não vou sair daqui com uma mão na frente e outra atrás. Dependo disso aqui pra sobreviver. Tenho netos e preciso muito trabalhar. Não aceito sair daqui de mãos vazias. Como vou viver?”, relatou, com indignação, Helena.

Mudança

Segundo a Blitz Urbana de São Luís, os comerciantes apontam para qual praça ou feira têm o interesse de trabalhar e o órgão verifica a possibilidade. Até o momento nenhum vendedor foi deslocado, estão sob análise. Ainda não há definição se os donos de estabelecimentos comerciais de alvenaria serão indenizados, porque, de acordo com a Blitz Urbana, as construções são irregulares.

Dona Joanice Barbosa, de 63 anos, disse que uma reforma no local seria ótimo, mas teme ficar sem trabalho. “Há 20 anos tenho uma barraca aqui. Trabalho e vivo das minhas vendas. Preciso ganhar meu pão de cada dia. Era bom uma reforma para melhorar essa situação que está hoje, mas que nos coloquem em um local bom pra trabalhar”, finalizou.

Durante a reportagem, o Estado flagrou lixo acumulado no ambiente, além de esgoto a céu aberto, que causa mau cheiro na área.

Sem licença

De acordo com o Superintendente da Fiscalização e Postura da Blitz Urbana de São Luís, Arnoldo Bastos, o Anel Viário vem sendo ocupado de forma irregular, precária e grande parte dos comerciantes não têm licença para trabalhar.

“Só dois proprietários têm licença para trabalhar atualmente no Anel Viário. Os outros comerciantes não possuem. A Prefeitura decidiu uma obra no local após uma operação da Delegacia de Costume do Maranhão, que constatou irregularidades, como a falta de licença da Defesa Civil e Bombeiros, som alto. Além disso a falta de segurança para os trabalhadores e frequentadores. Estamos tentando deslocar os comerciantes para praças e feiras, até mesmo de decisão deles, de forma amigável”, disse.

Sobre o que será feito no Anel Viário, Arnoldo Bastos disse que o local será revitalizado. O Anel Viário passará por uma requalificação. Ainda não sabemos o que será construído na área. Ainda não há previsão de quando a obra será executada”, finalizou.

Frase

“Eles podem até nos tirar daqui, mas têm que indenizar. Não vou sair daqui com uma mão na frente e outra atrás. Dependo disso aqui pra sobreviver. Tenho netos e preciso muito trabalhar. Não aceito sair daqui de mãos vazias. Como vou viver?”

Dona Maria Helena

Proprietária de restaurante

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