Barbárie

Empresário morre após passar mal no “gaiolão” de delegacia

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Fato ocorreu em Barra do Corda; familiares acusam a Polícia Civil de negligência, já que a vítima passou de domingo até segunda-feira

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Empresário morre após passar mal no “gaiolão” de delegacia
Gaiolão onde Francisco Edine foi colocado mesmo passando mal (Foto: Divulgação)

Moradores, revoltados, realizaram ontem uma manifestação na porta da Delegacia Regional de Barra do Corda, solicitando informações sobre a morte do empresário Francisco Edine Lima Silva, o Edinei da Aluvidro, de 43 anos, após passar mal no “gaiolão” daquela delegacia. Os manifestantes denunciaram negligência por parte dos policiais civis, que não atenderam aos apelos dos familiares da vítima.

Moradores protestam em frente a delegacia (Foto: Divulgação)

O empresário se envolveu em um acidente de trânsito na cidade no domingo, 8, e foi levado para a delegacia e colocado em uma cela, chamada de “gaiolão”, sob forte calor. Ele passou mal e morreu na segunda-feira, 9, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Barra do Corda, para onde foi levado pelos policiais ao perceberem que estava desmaiado.

Com faixas, cartazes e gritos de ordem, os manifestantes, concentrados em frente à delegacia, pediam para que os verdadeiros culpados pela morte do empresário fossem punidos. O cunhado da vítima, Adão Alves, disse que o empresário era diabético e hipertenso. A mãe dele chegou por várias vezes ir à delegacia para pedir que dessem pelo menos água ao filho, mas teria sido impedida pelos policiais.

A afilhada da vítima, Hellen Cristina dos Reis, informou que, caso o pedido da família fosse atendido pelos policiais plantonistas e Francisco Edine, levado ainda no domingo ao hospital da cidade, ele estaria vivo. “Informamos que a vítima era doente e estava passando mal na cela sob forte calor, mas não fomos ouvidos pelos policiais”, desabafou Hellen Cristina.

O delegado Renilton Ferreira declarou ontem, em entrevista à TV Mirante, que o empresário foi preso e colocado em uma ala que faz parte da carceragem da delegacia. No local, ficam os detidos que aguardam ser ouvidos pela autoridade policial e, dependendo da situação, são liberados ou transferidos para outra cela.

Ainda segundo o delegado, o empresário, durante o tempo que ficou na delegacia, estava acompanhado por seu advogado, nome não revelado, e caso estivesse correndo risco de morte os policiais plantonistas teriam sido comunicados imediatamente.

Ele também afirmou que o caso está sendo investigado e que, inclusive, está aguardado o laudo médico do hospital onde o empresário morreu e o resultado dos exames periciais feitos no Instituto Médico Legal de Imperatriz.

Caso
Edinei da Aluvidro foi preso no último domingo, após se envolver em um acidente de trânsito, na BR-226, nas proximidades da ponte sob o Rio Mearim. Ele dirigia um veículo Cobalt branco, em companhia de familiares, quando colidiu com uma motocicleta Fan preta, que estava sendo conduzida por um homem, identificado apenas como Gustavo.

O empresário e seus familiares sofreram lesões e foram levados para a UPA de Barra do Corda, enquanto o motociclista, que também sofreu fraturas, foi conduzido para o Hospital Regional de Presidente Dutra.
Edinei da Aluvidro, ao ser liberado do hospital, ainda no domingo, foi levado para a delegacia. Ele ficou preso e foi colocado no “gaiolão”, onde passou mal a noite e somente no dia seguinte retornou à UPA. Segundo os familiares, a vítima apresentava crises convulsivas e pressão alta. Ela foi levada para a sala vermelha, chegou a ser entubada, mas não resistiu.l

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