Em família

Pai e seus sete filhos empreendem na Terra do Rumo, em São Luís

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Comunidade, localizada na zona rural de São Luís, é uma das cinco atendidas pelo Sebrae na região metropolitana; família se une na terra e tem bons resultados; o Sebrae acompanha os passos dessa família e de outras na região

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Moacir Santos e seus filhos cuidam de suas plantações na Terra do Rumo, na zona rural de São Luís
Moacir Santos e seus filhos cuidam de suas plantações na Terra do Rumo, na zona rural de São Luís (Foto: Divulgação/Sebrae)

SÃO LUÍS - Moacir Santos teve um problema de saúde há cerca de quatro anos. De lá para cá, sua vida mudou totalmente. O acidente que lhe fez perder o movimento de uma das pernas levou o eletricista, nascido no interior, de volta para a vida na área rural. Morador da comunidade Terra do Rumo, Moacir Santos deixou sua antiga profissão e encantou-se com a produção rural, que há cerca de dois anos tem sido a fonte de renda para ele, sua esposa, Ildener dos Santos, e os seus sete filhos. Hoje, sua família é uma das 33 que vivem na comunidade da zona rural de São Luís. E são os filhos que dão o suporte de que o pai precisa.

“Aqui a gente planta coco, manga, caju, limão, hortaliças, macaxeira, mandioca; o que der a gente tá cultivando. Aprendi desde cedo com meus pais que a terra é boa para quem é boa para ela”, diz Moacir Santos, convicto de que fez a escolha certa, quando decidiu ir para a comunidade.

Quando se chega à propriedade de 2,5 hectares, já se depara com seus filhos trabalhando na terra. “Aqui todo mundo está envolvido no negócio: quem coloca a mão na terra, até quem pensa a gestão do local. Faço questão que conheçam todos os processos. Essa terra é nossa! Daqui temos tirado nosso sustento e por isso temos de entender como funciona”, disse o produtor rural.

Negócio em família

A família dele faz parte da ampla e profunda transformação que o universo do agronegócio tem vivido nas últimas décadas. Cada vez mais distante dos velhos estereótipos, o pequeno produtor rural está se modernizando, incorporando novas tecnologias e mudando o modo de gerenciar os rumos do seu negócio.

É isso o que revela uma recente pesquisa realizada pelo Sebrae. No Maranhão, os resultados foram bastante expressivos. Em relação ao uso do celular, por exemplo, a pesquisa mostrou que 96% produtores rurais maranhenses o utilizam. Este resultado colocou o Maranhão na 10ª posição no ranking nacional.

Muito dessa conjuntura tem sido levada para os produtores rurais por intermédio dos filhos, que, formados, resolveram investir seus conhecimentos nos negócios dos pais.

Luciano Santos, que é o segundo dos sete filhos de Moacir, encaixa-se perfeitamente nesse modelo. Formado em Administração, tem usado seus conhecimentos para ajudar não só o pai, mas toda a comunidade, principalmente no que diz respeito à gestão. É ele quem gerencia a produção rural de sua família e também ajuda a comunidade de Terra do Rumo, colocando em prática seus conhecimentos em gestão. Luciano é tesoureiro da Associação de Agricultores Rurais e Cidadania da Terra do Rumo-AARCTR.

Mas ele não trabalha apenas na gestão. Luciano Santos também coloca a mão na terra. Nesse sentido, decidiu que precisava aprender mais sobre a produção rural e em setembro iniciará a faculdade de Ciências Agrárias.
“Para mim, não há nenhum problema em arar a terra, mas é importante também trazer novas possibilidades ao negócio que a minha família desenvolve hoje. Buscar aprendizado, para que possamos ter mais eficácia na utilização da terra”, enfatizou.

Luciano Santos é um dos administradores do Grupo criado no aplicativo WhatsApp, chamado “Agricultores Terra do Rumo”. Além deste grupo, ainda administra o “Questão Ambiental”. Este último, composto por alguns produtores ou por seus filhos, também tem engenheiros ambientais, técnicos agrários e outros profissionais, que auxiliam os moradores da comunidade, dando acesso a informações importantes sobre os cuidados com a terra, biofertilizantes e capacitações.

“A inserção de ferramentas como a internet no nosso dia a dia melhora a comercialização dos nossos produtos, a oferta de informações sobre dúvidas que temos para a melhoria de processos e até a nossa capacitação”, ressaltou Luciano Santos.
Moacir Santos diz que não precisa saber muito sobre essas ferramentas, desde que o filho a utilize e que esteja vendo o retorno disso no aumento da lucratividade. “Aqui quem mexe nessas coisas é o Luciano. Sempre antenado e trazendo essas coisas boas, que a gente sabe que melhora a vida da gente, mas, às vezes, não temos o domínio necessário”, disse.

O filho mais velho, Michael Santos, tem 24 anos e é enfermeiro. Ele conta que o pai é um exemplo de perseverança, determinação e dedicação. “Todos nós admiramos a força dele. Quando ouviu que ia perder o movimento de uma das pernas, meu pai não achou que a vida tinha acabado. Ele se reinventou e nós fomos com ele. A gente tem formação em várias áreas, mas viver isso aqui com ele, vendo sua força, é motivador”, destacou Michael.

Moacir Santos orgulha-se de ver os filhos na propriedade. “As pessoas veem essa terra toda trabalhada, cultivada, pensam que contratei alguém. Não! Aqui somos nós! Meus filhos aprenderam que qualquer emprego é digno e devemos honrar qualquer atividade que façamos. Quando eram pequenos, eu os levava para o trabalho comigo, e ali aprendiam que é preciso ter força de vontade pra conquistar as coisas”, afirmou.
Além de Michael e Luciano, Moacir é pai de Hiago, Willas, Bruno, Wanderson e Michelle.

Sebrae na Terra do Rumo

A família de Moacir Santos é uma das 33 que vivem no local e desde o começo do ano são atendidas pelo Sebrae, por meio da sua regional em São Luís.

Para o diretor superintendente do Sebrae no Maranhão, João Martins, o Sebrae tem atuado nas comunidades rurais de todo o estado, inserindo processos que otimizem o trabalho e que aumentam a assertividade e a lucratividade dos produtores rurais.

“Precisamos levar ao produtor rural todos os insumos necessários para que ele trabalhe seu negócio da forma correta e melhore seus processos. Temos uma série de capacitações programadas para ocorrer na Terra do Rumo e mais quatro comunidades da Grande São Luís até o final do ano”, informou.

Neste primeiro momento, a analista do Sebrae, Rosanira Leite, que é a responsável pelo atendimento dos produtores, disse que a instituição tem feito o trabalho de orientação e consultoria aos agricultores.

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