Desordem

Comércio informal no Centro tem anuência de gestores

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Todos os comerciantes da Praça da Alegria foram retirados pela Prefeitura de São Luís por causa da reforma do local e alocados na Praça Deodoro, onde estão até hoje

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Praça Deodoro virou espaço  do comércio  informal
Praça Deodoro virou espaço do comércio informal (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

SÃO LUÍS - O cheiro de batata frita feita no óleo reaproveitado de vários dias, a confusão das buzinas dos carros e ônibus, o grito dos comerciantes que anunciam seus produtos como faziam os antigos pregoeiros da cidade, o colorido de faixas, fachadas e barracas. Andar pelo centro de São Luís é ter uma mistura de sensações. Nem todas boas. A desordem causada pelo comércio informal que ocupa o espaço público incomoda quem frequenta o local diariamente, e o próprio poder público permite a presença dos ambulantes no centro de São Luís.

A Praça da Alegria, que estava degredada e invadida pelo comércio informal, foi restaurada, permitindo à população voltar a utilizar um espaço de fruição paisagística e de enorme importância para a memória da cidade. A reforma da praça começou em agosto de 2014 e foi concluída em março do ano seguinte. Antes do início dos trabalhos, todos os comerciantes foram retirados do local pela Prefeitura de São Luís e alocados na Praça Deodoro, de onde nunca saíram.

A presença deles agravou o cenário de desordem da Deodoro. E já está tão consolidada que até ligações elétricas são feitas no local, para que possam abastecer suas bancas e trabalhar diariamente.
Hoje, a Praça Deodoro é ocupada por comerciantes dos mais variados setores. São vendedores de lanches dos mais variados tipos, chips para celular, bancas de revistas, bijuterias, artesanato, vestuário, calçados, bolsas, relógios, óculos de grau e de sol piratas, refrigerante, água, bebidas alcoólicas, refeições, eletroeletrônicos, brinquedos, flores e mudas de plantas, etc.

Há ainda tendas para tatuagens e colocação de piercing, relojoeiro, produtos naturais e suplementos para nutrição desportiva. Se o consumidor está em busca de camisetas personalizadas, bottons, LPs lançados há 20, 30 anos, ervas para os mais variados tratamentos, camisas do seu time do coração, tudo isso e muito mais ele encontra na localidade.

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Há ainda bancas de jornais e revistas, lanches e outros tipos de comércio abandonadas. Situações que contribuem para o “inchaço” da região. “Nos últimos anos, a praça ficou ainda mais ocupada. E é uma ocupação que ocorre de forma desordenada. Não sei se impedir o comércio seria correto, mas acho que, se reformassem e organizassem o espaço para que comerciantes e frequentadores pudessem usar de forma harmoniosa, já melhoraria muito”, diz o comerciante Anísio Diniz.

A Blitz Urbana, órgão ligado à Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh), informou que realiza ações de disciplinamento periodicamente nos pontos citados na reportagem, principalmente próximo a datas comemorativas, como Dia das Mães, dos Pais e Natal, quando há o aumento dos ambulantes, ainda mais com a chegada de pessoas de outros estados e até de outros países, a exemplo dos coreanos, chineses e latino-americanos.

NÚMEROS

800 ambulantes não têm autorização para ocupar espaços nas praças Deodoro e Pantheon, Rua Grande e Avenida Magalhães de Almeida, caracterizados principalmente por aquelas pessoas que vendem seus produtos em tabuleiros pequeno e móveis, na maioria das vezes, segurados pelas próprias mão, segundo a Blitz Urbana, órgão da Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh).
2.500 ambulantes atuam nas praças Deodoro e Pantheon, Rua Grande e Avenida Magalhães de Almeida
1.700 destes comerciantes estão com a autorização atualizada para atuarem nestes logradouros

Fonte: Blitz Urbana

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