Paralisação

Agentes de controle de endemias iniciam greve

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Eles reivindicam melhores condições de trabalho e salário; com a paralisação, trabalho de combate ao Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e febre chikungunya, fica comprometido

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Agentes foram em passeata até a sede da Prefeitura Municipal, onde fizeram uma manifestação
Agentes foram em passeata até a sede da Prefeitura Municipal, onde fizeram uma manifestação (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Reivindicando melhores condições de trabalho e salário, agentes de controle de endemias de São Luís iniciaram ontem uma paralisação por tempo indeterminado. Com a greve dos profissionais, o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e febre chikungunya, fica comprometido.

Os esforços das autoridades públicas em combater as doenças transmitidas pelo mosquito redobraram nos últimos anos em todo o Brasil. Os agentes de endemias são peças fundamentais nesse processo. No entanto, com a paralisação deles, os serviços serão interrompidos e aumentará a quantidade de casos dessas doenças.

Paralisação
Ontem, os agentes de endemias se concentraram na Praça Maria Aragão, por volta de 8h. Do logradouro, eles saíram em caminhada pela Avenida Beira-Mar em direção ao Palácio de La Ravardière, sede do Executivo municipal, localizado na Praça Pedro II.

Por causa da manifestação, um congestionamento formou-se ao longo da via, sendo necessária a intervenção de agentes da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) para orientar o fluxo de veículos.

O manifesto foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Controle de Endemias do Estado do Maranhão (Sintracema). De acordo com Bernardo Medeiros, presidente da entidade, os trabalhadores estão atuando sem os equipamentos de proteção individual, como as máscaras, óculos, luvas e fardamento, situação essa que compromete o desenvolvimento das atividades.

Além disso, a categoria também reclama por reajuste salarial. Hoje, os profissionais ganham em média R$ 1.300,00 e, este ano, ainda não foi feito o reajuste nem por parte da Prefeitura de São Luís, nem pelo Ministério da Saúde (MS). “Hoje os agentes de endemias estão pagando para trabalhar”, disse Bernardo Medeiros.

Atualmente, na cidade existem 674 agentes de combate a endemias que trabalham nas visitas domiciliares; nos carros fumacê; em borracharias, ferros-velhos e cemitérios; e que desenvolvem as atividades de educação e saúde em todos os distritos sanitários da capital maranhense.

Além disso, 277 agentes de endemias estão atuando em funções desviadas das suas. Por causa da paralisação dos profissionais, apenas 30% dos trabalhadores estão exercendo as suas funções. “Já tivermos diversas reuniões e mandamos vários expedientes para o gestor municipal; para as secretarias de saúde e administração e não tivemos nenhum êxito”, destacou o líder sindical.

O Estado entrou em contato com a Prefeitura de São Luís em busca de um posicionamento sobre as reivindicações dos agentes de controle de endemias, mas até o fechamento desta página nenhuma resposta foi obtida.

SAIBA MAIS

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), são atividades dos agentes de controle de endemias:
- Desenvolver ações educativas e de mobilização da comunidade relativas ao controle das doenças/agravos;
- Executar ações de controle de doenças/agravos interagindo com os ACS e equipe de Atenção Básica;
- Identificar casos suspeitos dos agravos/doenças e encaminhar os pacientes para a Unidade de Saúde de referência e comunicar o fato ao responsável pela unidade de saúde;
- Orientar a comunidade sobre sintomas, riscos e agente transmissor de doenças e medidas de prevenção individual e coletiva;
- Executar ações de campo para pesquisa entomológica, malacológica e/ou coleta de reservatórios de doenças;
- Realizar cadastramento e atualização da base de imóveis para planejamento e definição de estratégias de intervenção;
- Executar ações de controle de doenças utilizando as medidas de controle químico, biológico, manejo ambiental e outras ações de manejo integrado de vetores;
- Executar ações de campo em projetos que visem avaliar novas metodologias de intervenção para prevenção e controle de doenças;
- Registrar as informações referentes às atividades executadas;
- Realizar identificação e cadastramento de situações que interfiram no curso das doenças ou que tenham importância epidemiológica relacionada principalmente aos fatores ambientais;
- Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental e outras formas de intervenção no ambiente para o controle de vetores.

NÚMERO
674
é a quantidade de agentes de controle de endemias atuando em São Luís.

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