Tradição

Boi de Zabumba é homenageado no Monte Castelo

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Em sua 23ª edição, evento aconteceu no bairro Monte Castelo, e celebrou o sotaque de zabumba, um dos mais antigos do bumba meu boi do Maranhão

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Boi de Zabumba foi festejado no bairro do Monte Castelo
Boi de Zabumba foi festejado no bairro do Monte Castelo (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

SÃO LUÍS- O sotaque de zabumba é um dos mais antigos entre as manifestações folclóricas maranhenses. Para manter essa tradição viva, grupos se apresentaram mais uma vez no Festival de Grupos de Boi de Zabumba, no Monte Castelo. Essa foi a 23ª edição do festival, que é uma promoção do Grupo Cultural de Boi de Zabumba e Tambor de Crioula do Maranhão.

Foi no cenário iluminado pelas cores das indumentárias dos brincantes e o ritmo original do bumba meu boi com o soar dos pandeirinhos, maracás e tantãs, além das zabumbas, que a Avenida Newton Bello, no bairro Monte Castelo, recebeu, na noite de sábado, seguindo até o amanhecer de ontem a festança dos grupos de bumba meu boi de zabumba.

O festival também contou com a participação do Cacuriá Assa Cana, da Liberdade. Cerca de 20 grupos de bumba meu boi de zabumba estiveram no evento, sendo um deles oriundo do município de Guimarães. Com 47 anos de fundação, o Boi de Guimarães levou para o encontro 150 integrantes. “Esse encontro é muito importante para incentivar a cultura do boi de zabumba e a sua preservação”, disse Cíntia Avelar.

Com 92 anos de tradição, o Boi da Fé em Deus também se apresentou no encontro. Para o presidente do grupo, Antônio Ribeiro, foi grande a felicidade de participar mais uma vez do evento e ver que essa tradição vem sendo preservada. “Participamos desde o começo do festival. Felizmente, essa tradição está se mantendo. Somos a raiz do bumba meu boi. Por isso, deveria ser o boi mais apreciado. Ainda tem muita gente que olha mais para o de orquestra e matraca. Mas estamos seguindo firmes”, disse.

Também se apresentaram no festival grupos como o Boi Brilho de São João da Liberdade, Boi Capricho do Oliveira, Boi Laço de Amor, Boi da Ivar Saldanha, Boi da Vila Passos (Canuto), Boi Brilho da Paz, Boi Bairro de Fátima (Dona Zeca), Boi Anjo do Meu Sonho, Boi Novo Capricho, Boi Unidos Pela Fé, Boi da Areinha, Boi Sempre Serremos Unidos, Boi Brilho de São João, Boi da Liberdade e o Boi Unidos Venceremos.

A ideia de reunir os grupos de bumba meu boi do sotaque de zabumba surgiu da necessidade de fortalecer a manifestação que já estava se extinguindo na capital. “Percebi que com o passar do tempo as brincadeiras não atraiam mais o público para as apresentações e algumas famílias já estavam quase por acabar os grupos, então resolvemos nos reunir para celebrar e fortalecer o sotaque de zabumba”, afirma Basílio Durans, o organizador do festival.

Nos anos anteriores, a programação contava ainda com entrega de troféus aos grupos participantes e entidades apoiadoras do evento, além de homenagens, mas este ano, por causa de um atraso do Governo do Estado na entrega dos troféus as homenagens ficaram para o dia 23.

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No Maranhão, o Bumba meu boi é a principal atração dos festejos juninos. Os grupos de Boi do Maranhão são divididos em sotaques (estilos, formas e expressões). Entre os sotaques estão: Sotaque de Matraca, Sotaque de Zabumba, Sotaque de Orquestra, Sotaque da Baixada, Sotaque de Costa-de-Mão. O sotaque de zabumba é considerado o maios antigo do Maranhão e é marcado pela presença da percussão rústica e cadenciada. Usam roupas aveludadas, saias bordadas e chapéus com fitas. Teve sua origem na região de Guimarães e arredores. Ele é oriundo da região de Guimarães e entre os personagens do auto destacam-se os rajados, vaqueiros e tapuias (índias).

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