Investigação

Polícia Civil sem dados sobre o número de crimes investigados

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Segundo a Secretaria de Segurança, dos 245 homicídios dolosos e latrocínios ocorridos este ano na Ilha, apenas 172 geraram autos de investigação preliminar na DHC, mas nem todos tiveram os inquéritos concluídos

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Foto: Divulgação

SÃO LUÍS - A Polícia Civil do Maranhão não sabe quantos homicídios dolosos ou latrocínios foram de fato investigados e os inquéritos encaminhados à Justiça. De 1º de janeiro deste ano, até o último dia 18 ocorreram 245 crimes dessa natureza na Região Metropolitana de São Luís, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), mas foram instaurados somente 172 Autos de Investigação Preliminar (AIP) no Departamento de Homicídios da Capital (DHC), órgão ligado à Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP). No entanto, não há informações se todos foram concluídos.

No ano passado, das 725 ocorrências desse tipo de crime, apenas 280 geraram o Auto de Investigação Preliminar. Os outros casos, segundo a polícia, foram registrados e apurados diretamente nas delegacias distritais e não se tem informações de suas conclusões.

O delegado Lúcio Rogério, chefe do DHC, explicou que a equipe da Homicídios vai até o local do crime para os primeiros levantamentos, gerando assim o Auto de Investigação Preliminar (AIP). Cerca de 90% dos AIPs são encaminhados para a delegacia da área onde ocorreu o crime e apenas os casos mais emblemáticos passam a ser investigados diretamente pela Homicídios ou quando há alguma determinação da direção da SSP.

Lúcio Rogério explicou ainda que há mortes violentas em que os parentes das vítimas registram diretamente nos distritos e há também os casos em que os acusados são presos em flagrante delito ou por mandado de prisão. O delegado afirmou que este ano somente cinco suspeitos de assassinatos foram presos pela Polícia Civil mediante a ordem judicial.

Investigação
“Não podemos afirmar no momen­to a quantidade de assassinatos ocorridos este ano, que resultaram em instauração de inquérito policial e foram remetidos para a Justiça, já que a maior parte é investigada nas distritais”, declarou Lúcio Rogério. Ele explicou que este ano oito AIPs desse tipo de crime foram transformados em inquérito policial no DHC, já encaminhados ao Poder Judiciário. Inclusive, quatro desses casos com os autores identificados.
Ainda de acordo com as informações do delegado, um dos casos solucionados foi o assassinato do agente penitenciário Viterbo Nunes da Silva, de 49 anos. O corpo da vítima foi encontrado com várias perfurações de faca e de tesoura, na cozinha de sua casa, no Parque dos Rios, em São José de Ribamar, no dia 2 de fevereiro deste ano.

Uma equipe da Homicídios começou a investigar o caso e no dia 14 de março deste ano prendeu os suspeitos, identificados como Carlos Henrique de Salles Ferreira e Thiago Dias Silva. Os dois eram conhecidos do agente penitenciário. A polícia também apreendeu objetos que tinham sido roubados da vítima, como televisão e videogame.

Carlos Salles também assumiu ter participado de outro latrocínio em companhia de mais dois criminosos, de nomes não revelados. Essa ação criminosa teve como vítima o estudante de Teologia Leonardo Silva Torres, de 26 anos, irmão de um soldado da Polícia Militar. O crime ocorreu no dia 6 de março, na Cidade Operária. Eles roubaram um Fiat Palio branco da vítima.

A equipe da DHC prendeu, também, Leonardo de Oliveira Souza, o Léo Gordo, de 35 anos, acusado de homicídio, associação criminosa e tráfico de drogas, em março deste ano. O delegado informou que esse detido teria participado da morte de Diniz Silva, o Pato, ocorrido no dia 1º de janeiro deste ano, na Camboa.

Morte
O delegado Lucio Rogério declarou, também, que já houve registro este ano de acusados de homicídio ou latrocínio, morto em confronto com a polícia. Dois desses casos envolveram Leandro Pimenta Silva, de 24 anos, e Charlysson Guimarães do Nascimento, de 35 anos, fato ocorrido no dia 2 de fevereiro.

Essa dupla, em companhia de Rogério Batista Pereira, o Parazinho, teria abordado a policial civil Iran Cerqueira Santos, de 51 anos, nas proximidades de sua residência, no Residencial Vista ao Mar, área do Farol do Araçagi, em Raposa. Ela estava conversando com uma vizinha, e ao perceber a presença de criminosos, pegou a sua arma, que estava em seu carro, um Renault prata.

Houve troca de tiros e uma das balas atingiu o peito esquerdo da investigadora de Polícia Civil. Um dos bandidos, Leandro Pimenta, também foi alvejado. Após o crime, os assaltantes fugiram do local. A policial foi levada até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Araçagi, mas não resistiu.

A polícia realizou incursões na localidade e encontrou Leandro Pimenta morto na UPA do Araçagi. O seu cúmplice, Charlysson Nascimento, foi morto logo depois, ao trocar tiros com policiais civis, no Residencial Eugênio Pereira, em Paço do Lumiar. Com o criminoso, foi apreendido um revólver, que teria sido usado, segundo o delegado, na ação contra a investigadora. Na área da Vila Luizão, a polícia prendeu o homem conhecido como Parazinho, que teve participação na morte da policial. l

Frase

“Não podemos afirmar no momento a quantidade de assassinatos que ocorreram este ano, e que tiveram inquéritos policiais instaurados e remetidos para a Justiça, já que parte deles são investigados nas distritais”.

Delegado Lúcio Rogério, chefe do DHC

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