OBRAS PÚBLICAS

Obras abandonadas ou inacabadas geram revolta na população

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Prazos para conclusão de uma creche e uma maternidade na Cidade Operaria já foram perdidos e obras não são concluídas; Hospital da Criança já teve três placas

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Obras abandonadas ou inacabadas geram revolta na população
Segundo moradores das proximidades da obra, placa com data de conclusão para 2018 não é a primeira (Foto: Biné Morais / O ESTADO)

SÃO LUÍS - Obras abandonadas ou com prazos de execução prorrogados constantemente são motivo de revolta da população de São Luís. São serviços nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e outros que melhorariam a vida das pessoas. Na Cidade Operária, uma creche e uma maternidade que deveriam estar em pleno funcionamento não foram concluídas. No centro de São Luís, a restauração de um casarão tombado está paralisada. E até obras que melhorariam as condições ambientais da cidade não têm a celeridade devida.

Cercado por placas de zinco, o terreno na Avenida Este 103 onde deveria estar funcionando a Maternidade da Cidade Operária tem apenas colunas inacabadas. Nem sinal de paredes, telhado e toda a estrutura necessária para atender as gestantes. Faltam também operários. Na placa fixada no local, a data para entrega da obra é 23 de junho de 2018, dois anos após o início dos trabalhos, 25 de junho de 2014.

Só que, segundo a comerciante Maria de Jesus Silva Araújo, que trabalha em frente às obras, esta não era a data inicial de entrega. “A data era junho de 2016, mas no ano passado, próximo das eleições, levaram a placa e, quando trouxeram de volta, tinham alterado a data”, afirma.

Esta não é a única obra pública abandonada na Cidade Operária. Outra é a construção de uma creche na Avenida Leste 103. Orçada em mais de R$ 1,5 milhão, a creche teve sua construção iniciada em abril de 2016 e deveria ter sido entregue em abril de 2017, segundo a placa em frente ao canteiro.

A obra faz parte de um pacote de 25 creches anunciadas em janeiro de 2013. Atualmente, o prédio encontra-se com as paredes erguidas, mas o telhado e acabamentos nunca foram concluídos. No entorno do canteiro de obras, o lixo se acumula. Outra obra abandonada é a de reforma e ampliação do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Avenida Oeste. A obra também foi iniciada há anos, mas nunca foi concluída. O terreno hoje está cercado por tapumes.

Infraestrutura e meio ambiente
Na outra ponta da cidade, na área Itaqui-Bacanga, é a reforma da barragem que não é concluída. É que as obras de recuperação da Barragem do Bacanga iniciadas no ano passado tiveram prazo de entrega modificado pelo Governo do Estado. Antes previstos para serem entregues em fevereiro deste ano, os serviços de recuperação da barragem serão finalizados em julho e a entrega da ponte em agosto deste ano, de acordo com a Secretaria Estadual de Infraestrutura (Sinfra).

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Ainda segundo a Sinfra, as obras na Barragem do Bacanga ainda não foram concluídas devido a sua complexidade técnica. Os trabalhos estão na fase de substituição do guindaste que deve chegar a São Luís em seis dias para realizar a instalação da comporta principal/definitiva. Paralelo a este serviço, a secretaria informou que está trabalhando no reforço estrutural da ponte, bem como o monitoramento constante diuturnamente do nível do lago.

Enquanto a obra não é concluída, os pescadores que usufruem do Lago Bacanga questionam, segundo eles, a morosidade na recuperação da barragem (responsável pela fluidez da água). De acordo com os pescadores, com a inoperância das comportas não há circulação de água na reserva hidrográfica, o que contribui para a mortandade de peixes.

Saúde
As obras do Hospital Odorico Amaral de Mattos (Hospital da Criança), no bairro Alemanha, são outras que seguem com morosidade. De acordo com as informações que constam na placa com os detalhes do serviço, as atividades foram iniciadas no dia 12 de junho de 2014 e a previsão é que elas sejam concluídas no dia 11 de fevereiro de 2018. Entretanto, o prazo de entrega já foi modificado três vezes.

O novo Hospital da Criança é alardeado como a grande obra da parceria entre Governo do estado e Prefeitura de São Luís. Durante as últimas eleições municipais, no ano passado, a obra foi utilizada constantemente como propaganda do prefeito reeleito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

Antes de iniciada a reforma, o Ministério Público e a Justiça tentaram, de várias formas, obrigar a Prefeitura a resolver os problemas na unidade de saúde. Isso porque diversas vistorias realizadas no local apontavam o prédio como completamente inadequado para uso. Conforme o laudo indicava, foi constatado o descumprimento das normas sanitárias em vigor, que poderiam provocar sérios danos à saúde dos usuários do hospital.

História e cultura
Com outro objetivo, as obras de restauração do Palacete Gentil Braga, na Rua Grande, centro de São Luís, seguem paradas. Iniciadas em março de 2015, deveriam ter sido entregues em março de 2016, mas mais de um ano depois do prazo o prédio continua cercado por tapumes. O Palacete Gentil Braga é o local onde funciona o Departamento de Assuntos Culturais (DAC) da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O órgão é responsável por fomentar a produção cultural e artística no âmbito da Universidade.

Localizado na Rua Grande, esquina com a Rua do Passeio, o prédio foi edificado no início do século XIX. Com 195 anos de existência, o Palacete Gentil Braga, ou Palacete do Canto da Viração, foi palco de encontro de artistas e intelectuais maranhenses no século XIX. Lá eram realizados saraus, reuniões e festas frequentadas por ilustres intelectuais que fizeram parte da história da literatura do estado como Odorico Mendes, Gonçalves Dias, Sousândrade, João Lisboa, entre outros.

O palacete foi residência oficial de Gentil Homem de Almeida Braga, figura importante da literatura maranhense, poeta e escritor da metade do século XVIII e do primeiro Vice-Cônsul inglês no Maranhão, John Hesket, em 1808. O prédio possui uma fachada revestida de azulejos portugueses, do fim do século XIX.

Números

R$ 1.695.479,48 é o valor da construção da creche
R$ 24.807.123,41 é o valor da construção da maternidade
R$ 3.697.568,05 é o valor da restauração do Palacete Gentil Braga
R$ 7.500.321,47 é o valor da reforma da Barragem do Bacanga
R$ 14.975.965,88 é o valor da reforma e ampliação do Hospital da Criança

UMA OBRA, TRÊS PLACAS

Desde o início da obra, em junho de 2014, a reforma e ampliação do Hospital Hospital da Criança já teve três prazos de conclusão.

. (Foto: Biné Morais / O ESTADO)

O primeiro foi fevereiro de 2016. O prazo não foi cumprido, mas prorrogado em um ano.

. (Foto: Biné Morais / O ESTADO)

Após novo descumprimento, outro prazo foi dado: fevereiro de 2018.

. (Foto: Biné Morais / O ESTADO)

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