Crise Política

Temer diz que não renuncia, mas começa a perder aliados

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Presidente diz não ter cometido crime algum; pelo menos dois ministros entregaram o cargo

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Temer diz que  não renuncia,  mas começa  a perder aliados
Michel Temer encara jornalistas e diz que não vai renunciar

BRASÍLIA - Em breve pronunciamento na tarde de ontem, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou que não renunciará à presidência da República. Temer destacou que demonstrará no Supremo Tribunal Federal (STF) não ter nenhum envolvimento com fatos delatados pelo dono da JBS, Joesley Batista. "Sei o que fiz e sei da correção dos meu atos. Exijo uma investigação plena e muito rápida para o esclarecimento ao povo”.

Mesmo mantendo decidido a permanecer à frente do país, vem perdendo após político, popular e jurídico desde que a crise da delação dos empresários Joesley e Wesley Batista estorou na mídia. Ontem – enquanto manifestações pela renúncia aumentavam - o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou abertura de inquérito para investigar Michel Temer. Com isso, Temer passa à condição de investigado na Operação Lava Jato.

O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após o vazamento das delações do dono da JBS, Joesley Batista, que atingem o presidente da República.

Pela Constituição, o presidente da República só pode ser investigado por atos cometidos durante o exercício do mandato e com autorização do STF. Os fatos narrados por Joesley teriam sido cometidos em março deste ano, com Temer na Presidência.

No governo, as baixas começaram também ontem. Os ministros da Cultura, Roberto Freire (PPS), e das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), entregaram os cargos. Freire espera o mesmo do colega de PPS, Raul Jungmmann.

“Pior momento”

No início de seu pronunciamento, Temer afirmou que só estava falando àquela hora (16 horas) porque tentou conhecer o conteúdo das gravações que o citam. "Solicitei oficialmente o acesso a esses documentos, mas até agora não o consegui", disse, prosseguindo: "Quero deixar claro que meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação e os dados de geração de empregos criaram a esperança de dias melhores. Otimismo e reformas avançavam no Congresso."

Temer continuou, citando o impacto do vazamento da delação de Joesley Batista. "A revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise politica de dimensão ainda não dimensionada. Todo o imenso esforço de retirar o país da recessão pode se tornar inútil. Não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho pelo país", reforçou.

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O ministro do STF, Edson Fachin, homologou nesta quinta-feira (18) a delação premiada dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, donos do grupo JBS. As delações permanecem sob sigilo. Os empresários firmaram o acordo com o Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato. Fachin é o relator da operação no STF.

Já são sete os pedidos de impeachment

Em menos de 24 horas após as graves denúncias que atingiram o presidente Michel Temer, que negociou, segundo delação do dono da JBS, Joesley Batista, a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), preso em Curitiba, o presidente Michel Temer se tornou alvo de pelo menos sete pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados.

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) é autor de dois dos pedidos e seu correligionário, o senador Randolfe Rodrigues (AP), é autor de um terceiro requerimento. O PSDB, que integra a base aliada de Temer, o PSB e o PRP também apresentaram pedidos para abertura de processo de impedimento de mandato.

O deputado Molon disse que a permanência de Temer no cargo tem dois objetivos: "proteger-se das consequências penais de seus crimes e ganhar tempo para conduzir uma eleição indireta que eleja seu escolhido", ressaltou o parlamentar da Rede.

"Isso vai aprofundar a grave crise política e econômica que castiga o país. Cabe a nós, que temos compromisso com o Brasil, lutar na Câmara pelo impeachment, e nas ruas por eleições diretas para presidente. Esta é a única saída possível para alcançar a pacificação e a estabilidade de que o país precisa para voltar a crescer e a gerar empregos", completou Molon.

Vaza imagem de Andrea Neves na prisão

Irmão senador Aécio Neves também teve a prisão pedida, mas negada pelo ministro Fachin

Andre Neves, irmã de Aécio Neves, está presa em Minas Gerais

BRASÍLIA - A Secretaria de Estado de Administração Prisional de Minas Gerais está apurando o vazamento de uma imagem de Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB), fichada pela polícia. Andréa está no presídio Estevão Pinto, na capital mineira.

Considerada braço direito de Aécio, Andrea foi presa pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (18), em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, após a informação da delação dos donos da JBS que citam o parlamentar, em gravação, pedindo R$ 2 milhões em propina para pagar sua defesa na Lava Jato.

A prisão de Aécio Neves também foi pedida pelo Ministério Público, mas negada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

No Rio, um chaveiro foi chamado para os agentes cumprirem o mandado de busca e apreensão no apartamento de Andrea em Copacabana, na Zona Sul. Este imóvel pertenceu ao ex-presidente Tancredo Neves, avô de Aécio e Andréa.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis de Aécio Neves e no gabinete dele, no Congresso. O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi preso. Também são alvos da operação os gabinetes do senador Zezé Perrela (PSDB-MG) e do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

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Manifestações ganham as ruas

Com palavras de ordem, bandeirões e uma marcha que promete ir da Candelária até a Cinelândia no Rio, manifestantes protestam contra o presidente Michel Temer e a favor das eleições diretas, ontem. Após as revelações envolvendo o presidente e o senador Aécio Neves (PSDB), com consequente desestabilização das instituições políticas, as Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, que juntas congregam grande parte dos movimentos populares do país, convocaram mobilizações pedindo a saída imediata de Temer e eleições diretas. O ato se espalha por todo país. Em Fortaleza (CE), Uberlândia (MG), Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Brasília (DF), São Paulo (SP), Vitória (ES), protestos também estavam marcados para começar entre 15h e 18h. Na capital paulista, um grande ato está marcado para o próximo domingo (21).

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