Golpe

Prado Carioca tenta dar golpe em Gilmar Mendes

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Estelionatário retoma práticas anteriores e volta a usar o nome do empresário Fernando Sarney para tentar se aproximar do ministro do STF e presidente do TSE

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Prado Carioca tenta dar  golpe em Gilmar Mendes

SÃO LUÍS - O estelionatário Carlos Roberto Melo (conhecido como Prado Carioca e que antes adotava o sobrenome Prado) fez uso novamente, após dois anos, de nomes de empresários de destaque para a prática de golpes. Novamente, o acusado utilizou o nome do presidente do Conselho Deliberativo do Grupo Mirante, Fernando Sarney, para tentar obter verbas de patrocínio com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes.

Além do ministro, Prado Carioca também tentou dar golpe no Instituto Brasiliense de Direito Público, empreendimento considerado referência na formação nas áreas de Direito e Administração Pública. Quanto à tentativa de golpe a Gilmar Mendes, a primeira ligação de Prado ao ministro aconteceu no dia 24 de abril deste ano.

Em contato com a secretária do ministro, Prado (se apresentando como Fernando Sarney) pede que Gilmar Mendes o receba, se intitulando como o “todo-poderoso do estado do Maranhão” e “dono de uma importante empresa de comunicação do estado”. Prado disse ainda que queria falar com Mendes sobre “negócios”, sem revelar quais assuntos seriam estes.

O Estado apurou que Prado não conseguiu o seu objetivo, que era o de falar pessoalmente com o ministro Gilmar Mendes. Após o primeiro contato, a assessoria do ministro entrou em contato com a diretoria do Grupo Mirante para relatar o fato. De acordo com os auxiliares de Mendes, o número usado pelo estelionatário para fazer os contatos com o ministro era oriundo do Distrito Federal.

Outro golpe
A ação de Prado não ficou restrita apenas à tentativa de golpe ao ministro Gilmar Mendes. Dias depois do contato com o presidente da Corte Eleitoral, Prado Carioca tentou novamente se passar por Fernando Sarney para tentar viabilizar patrocínios de representantes do Instituto Brasiliense de Direito Público.
Segundo a instituição, o contato de Prado com o instituto foi feito há 20 dias. No total, foram três ligações em dias sucessivos. No último contato, de acordo com a secretária que atendeu às ligações e cuja identidade foi preservada, Prado se irritou com a ausência de resposta ao patrocínio pleiteado por ele.

Relembre
Em setembro de 2015, O Estado publicou que o estelionatário, que tem uma empresa aparentemente de “fachada” e intitulada C.R.Melo Prado Eireli, com sede em São José de Ribamar (Região Metropolitana de São Luís), recebia valores de empresas sob a alegação de que os recursos seriam usados para a promoção de eventos ligados a grupos de bumba meu boi.

De acordo com a nota fiscal encaminhada no dia 20 de agosto de 2015 e endereçada à empresa alvo do golpe, o valor para a promoção das atividades seria de R$ 78 mil. Além da ajuda ao grupo de bumba-boi, a verba também seria utilizada para apoio a uma campanha de saúde.

Em outro e-mail, o estelionatário Carlos Prado (denominando-se como diretor Cultural e Financeiro da empresa C.R. Melo Prado Eireli) pede da empresa farmacêutica o endereço correto da mesma para encaminhamento da nota fiscal, para repasse da verba. Segundo trecho, Carlos Prado “solicita urgência” para que, com base nos dados da empresa farmacêutica, sejam encaminhadas duas vias da nota fiscal via sedex.

Em 2010, o estelionatário foi preso após se passar, à época, por pessoas importantes, entre elas empresários e políticos, para conseguir extorquir dinheiro de suas vítimas. Em dezembro de 2014, Prado Carioca tentou extorquir R$ 68 mil de um empresário e dono de uma empresa de aviação na cidade de Manaus, capital do Amazonas. Na ocasião, o estelionatário alegara patrocínio para um grupo folclórico intitulado “Encanto do Maranhão”, que iria se apresentar nos dias 15,16 e 17 de dezembro do ano passado nas cidades de Belém, Santarém e Altamira.

Antes, em 2013, Prado Carioca enviou o mesmo pedido de patrocínio para empresas em Brasília e Fortaleza, com alegações idênticas, ou seja, participar de eventos relativos à cultura e à importância do meio ambiente no país. Em todas estas ocasiões, como forma de ganhar a confiança de sua vítima, Prado fez uso do nome do empresário Fernando Sarney.

Em 2003, Prado já havia sido preso pelo crime de estelionato. Em 2009, Prado se passou pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB) para tentar extorquir dinheiro da Petrobras. À época, o estelionatário encaminhou ofício com uma assinatura falsa do político à diretoria de Petróleo e Gás da empresa, no Rio de Janeiro. l

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