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Governabilidade

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Governabilidade

Em meio aos torpedos que atingem o seu derredor, e mesmo o seu núcleo central, o governador Flávio Dino (PCdoB) já começa a conviver com uma questão difícil para a sua gestão: diante de tanta confusão envolvendo a si e aos seus, ainda é possível a governabilidade para o governador comunista?
São dezenas de escandalozinhos, escândalos e escandalões a marcar seu mandato. E cada vez mais ele parece preocupado com as coisas que o cercam do que com o governo propriamente dito.
Dino tem que explicar, por exemplo, a história da suposta propina de R$ 200 mil que um diretor da Odebrecht diz ter pago a ele na campanha de 2010. Também precisa explicar de que forma soube que sua acusação na operação Lava Jato referia-se exatamente à compra de apoio a um projeto específico de interesse da Odebrecht.
Além disso, o governador comunista agora está às voltas com a prisão, em São Luís, de um advogado com o qual mantinha estreita relação.
Se se incluir na lista as questões do aluguel camarada, dos gastos exorbitantes com jatinhos e helicópteros, do rompimento com aliados do naipe de Dedé Macedo e as pressões que sofrem para declarar apoio aos pré-candidatos a senador, a pergunta sobre a governabilidade torna-se cada vez mais significativa.
E essa governabilidade pode ser vista na falta de estrutura nas estradas, no abandono do setor de saúde e na falta de ações de desenvolvimento do governo. Afinal, Dino está às voltas com outras questões.

Falou, falou...
Logo no início da manhã de ontem, o governador Flávio Dino passou a pregar a renúncia do presidente Michel Temer e a realização de eleições diretas.
Mas a operação da Polícia Federal foi avançando até começarem a surgir nomes ligados, de uma forma ou de outra, ao próprio governador, no escândalo delatado pela JBS.
A partir daí, Dino passou, assim como Temer, a também ter que se explicar das relações com os envolvidos.

Negócio obscuro I
A prisão do advogado Willer Tomaz trouxe de volta à tona a negociação envolvendo a TV Difusora.
O advogado estaria em São Luís exatamente porque assumiria o comando do conglomerado de mídia, que hoje é um dos braços de comunicação ligados ao governo Flávio Dino.
Tanto que, exatamente ontem, iria se apresentar aos funcionários como o novo dono da emissora.

Negócio obscuro II
O lastro de Willer Thomaz não é conhecido, mas chama a atenção o fato de um advogado de fora de São Luís, de repente, despertar interessa na compra de uma emissora de TV.
Nenhuma das partes envolvidas na transação fala de valores, mas, nos bastidores, comenta-se que esteja na casa das dezenas de milhões de reais.
Há suspeitas de que Tomaz tenha relação de amizade com o governador, além de ter sido advogado do deputado federal Weverton Rocha (PDT).

Acuado
O governador Flávio Dino (PCdoB) parece ter recuado nos últimos dois dias após os desdobramentos da Operação Lava Jato.
Primeiro porque o STJ admitiu a possibilidade de suspender mandato dos governadores que forem investigados na Lava Jato. Segundo, por causa das prisões de um procurador da República e um advogado.
Alvo de um pedido de abertura de inquérito no STJ, no bojo da Lava Jato, o comunista deve já pensar nas estratégias de defesa no caso.

Abalou
E não foi só o governador Flávio Dino quem recuou após os desdobramentos da Lava Jato. Aliados do comunista também sentiram o impacto dos efeitos da operação.
No Legislativo estadual, por exemplo, é cada vez mais tímida a manifestação de apoio ao comunista.
E tudo porque é quase certa a decisão do STJ de abertura de inquérito contra Dino. Faltam apenas 14 meses para a disputa das eleições 2018.

Por onde anda?
Em meio a toda a crise política, econômica, social, financeira e administrativa, não se tem notícias do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior.
Reeleito em 2016, o pedetista ainda não conseguiu cumprir promessas de entrega de grandes obras na capital, como a construção do Hospital Jackson Lago e de um elevado no Calhau.
Não se sabe por qual motivo, mas o pedetista também anda distante da classe política. O que houve?

Com que cara?
Em 2014, o governador Flávio Dino e o presidenciável Aécio Neves - ambos pilhados na Operação Lava Jato - andavam abraçados pelo Maranhão.
Agora, os dois têm motivos de sobra para se distanciar um do outro, apesar dos interesses eleitorais.
Com que cara, por exemplo, Dino irá se explicar ao eleitor estar ao lado de um réu da Operação Lava Jato?

E MAIS

• A maioria dos deputados estaduais comentava ontem na Assembleia que a única saída para a crise é a renúncia do presidente e a convocação de novas eleições.

• A prisão do procurador Goulart Vilela pode respingar no projeto do procurador Nicolao Dino de se tornar o chefe do Ministério Público.

• O Instituto Gilmar Mendes foi um dos mais novos alvos do estelionatário maranhense Prado Carioca. A tentativa de extorsão acabou frustrada.

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