Mobilização

Ato público trata de humanização para doentes mentais

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Ontem foi comemorado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial; tratamento humanizado foi discutido

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Durante o dia de ontem, foi feita panfletagem na Praça Deodoro
Durante o dia de ontem, foi feita panfletagem na Praça Deodoro (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

SÃO LUÍS - O dia 18 de maio, ontem, foi marcado como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, em que diversas entidades se unem em defesa de um tratamento mais humanizado aos portadores de doenças mentais e contra o funcionamento dos manicômios. Em alusão à data, o Conselho Regional de Psicologia do Maranhão, juntamente com outras entidades, realizou um ato público, com distribuição de material informativo para a população na Praça Deodoro, em São Luís.

O movimento da Luta Antimanicomial nasceu no Encontro Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, em 1987, na cidade de Bauru, em São Paulo, que tinha como lema: “Por uma sociedade sem manicômios”. Na época, denunciavam-se abusos e violação dos de direitos humanos sofridos por aqueles que tinham doenças mentais dentro dos manicômios. Na época, já se lutava pelo fim desse tipo de tratamento e a instalação de serviços alternativos.

Luta
Ana Gabrielle Guterres é diretora do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da rede estadual de saúde. Ela criticou o tratamento aos pacientes oferecidos pelos manicômios. “No manicômio, o tratamento não é humanizado e digno. As pessoas perdem as suas identidades e ficam trancafiadas, sem convívio”, assinalou.

De acordo com Raissa Bezerra Palhano, do Conselho de Psicologia, é importante que as pessoas com problemas mentais tenham um tratamento mais humanizado, e isso acontece fora dos manicômios, uma vez que esses espaços contribuem para a agravação dos problemas dos pacientes.

“A idéia é acabar com os manicômios e inserir essas pessoas na sociedade, o que chamamos de tratamento em meio aberto”, ressaltou a conselheira, afirmando ainda que esse tratamento passa por uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, terapeutas, arte educadores, entre outros.

Uma das conquistas do Movimento Antimanicomial foi a Lei 10.216/2001, que determinou o fechamento progressivo dos hospitais psiquiátricos e a instalação de serviços substitutivos. Desde então, o Brasil tem fechado leitos psiquiátricos e abertos serviços substitutos que são os CAPS; residências terapêuticas; programas de redução de danos; centros de convivências; oficina de geração de renda, entre outros.l

SAIBA MAIS

O Movimento da Luta Antimanicomial se caracteriza pela luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental. Dentro desta luta está o combate à idéia de que se deve isolar a pessoa com sofrimento mental em nome de pretensos tratamentos, idéia baseada apenas nos preconceitos que cercam a doença mental. O Movimento da Luta antimanicomial faz lembrar que como todo cidadão estas pessoas têm o direito fundamental à liberdade, o direito a viver em sociedade, além do direto a receber cuidado e tratamento sem que para isto tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos.

Por esta razão o movimento tem como meta a substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos tradicionais por serviços abertos de tratamento e formas de atenção dignas e diversificadas de modo a atender às diferentes formas e momentos em que o sofrimento mental surge e se manifesta.

Esta substituição implica na implantação de uma ampla rede de atenção em saúde mental que deve ser aberta e competente para oferecer atendimento aos problemas de saúde mental da população de todas as faixas etárias e apoio às famílias, promovendo autonomia, descronificação e desinstitucionalização. Além dos serviços de saúde, esta rede de atenção deve se articular a serviços das áreas de ação social, cidadania, cultura, educação, trabalho e renda, etc., além de incluir as ações e recursos diversos da sociedade.

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