Mais uma vez

Após quebra de tubulação antiga, nova adutora será entregue em junho

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Trecho da tubulação rompeu-se na noite de quarta-feira, dia 19, na BR-135, no Campo de Perizes e foi consertado ontem

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Trecho da adutora  onde houve rompimento foi
Trecho da adutora onde houve rompimento foi (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

SÃO LUÍS - Após mais um rompimento da tubulação da Adutora de Água Tratada do Sistema Italuís, que deixou parte da população da capital com o abastecimento d’água comprometido, a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informou novo prazo para a entrega das obras de substituição de toda a tubulação do Italuís. Segundo a empresa, os serviços serão concluídos em junho deste ano. A demora ocorreu por causa da instalação da nova tubulação na estrutura que passa ao lado da Ponte do Estreitos dos Mosquitos que exigiu tempo extra para a conclusão desta etapa dos trabalhos.

Um trecho da tubulação do Sistema Italuís rompeu-se na noite de quarta-feira, dia 19, na BR-135, no Campo de Perizes. Com isso, a quinta-feira foi de torneiras vazias em muitos bairros de São Luís. Ainda na manhã de ontem, técnicos da companhia foram deslocados para o local do rompimento para consertar a estrutura, o que ocorreu ainda ontem. Segundo a Caema, o abastecimento já estará regularizado em alguns bairros hoje. Esta foi a segunda vez que a adutora rompeu-se este ano. Em 25 de fevereiro, a tubulação também apresentou problemas.

Rompimentos
Com mais de 30 anos de operação, a adutora do Italuís encontra-se comprometida em razão da ferrugem e da corrosão, o que gera rompimentos ao longo da tubulação com certa frequência. Em novembro de 2012, foi assinada ordem de serviço para o início das obras de substituição dos 19 quilômetros da adutora.

Para a realização do serviço, o Governo do Estado, por meio da Caema, conseguiu, junto ao Governo Federal, investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com a contrapartida do Governo do Maranhão. A obra tinha conclusão prevista para novembro de 2013, mas, por causa da complexidade da troca da tubulação, ainda não foi concluída e novos prazos foram sendo estipulados.

Na edição do dia 5 de outubro de 2016, O Estado informou que a obra, que deveria ter sido concluída em julho daquele ano, ainda estava em andamento. Na edição do dia 26 de janeiro deste ano, a Caema informou que o prazo de conclusão seria março. Agora, a companhia informou que os serviços serão entregues em junho.

Obra complexa
Segundo a Caema, vários trechos da obra precisaram de tempo extra para serem concluídos por causa da complexidade da estrutura, que é extensa e pesada. Um dos trechos mais difíceis foi concluído há algumas semanas: a travessia da tubulação por sobre a Ponte do Estreito dos Mosquitos, que liga a Ilha de São Luís ao continente.

Somente este trecho tem uma ponte de 110 metros de comprimento, 5 metros de largura e 16 metros de altura em seu ponto mais alto. A estrutura é feita com 350 toneladas de ferro puro. Essa treliça é que liga os tubos da adutora com o continente.

Além de desobrigar o uso da ponte férrea existente no local, que, hoje, serve de apoio e sustentação dos dutos da adutora antiga, e servir de passarela para a nova adutora, a nova base já está preparada para receber futuramente dutos de uma adutora paralela.

As cabeceiras foram arquitetadas mediante uma série de variáveis que precisaram ser antevistas à luz de um projeto estrutural que permita êxito, não só na acomodação dos dutos, mas também no que diz respeito à sustentação do peso exercido pela própria ponte, que, somada ao da adutora em operação, será de aproximadamente 600 toneladas no total.

Foram necessários avaliação e entendimento junto à Marinha para que a colocação da ponte cumpra regras e não prejudique a navegação de pequenas embarcações que cruzam o estreito. Devido a diversos fatores, a ponte precisa seguir uma altura padrão de instalação que respeite um limite mínimo em relação à linha d’água de, no mínimo, 4,5 metros de altura em relação à maré alta e 8,50 metros na maré mais baixa.

Nestes termos, após ser colocada nas cabeceiras, a ponte terá uma altura final de 20,5 metros, atendendo a padrões e exigências da Marinha mediante condições de navegabilidade pela variação de marés.

Melhorias
Segundo a Caema, a conclusão da ponte faz parte da fase final da obra de Remanejamento da Adutora de Água Tratada do Sistema Italuís. A obra está substituindo a antiga adutora ao longo do Campo de Perizes por uma outra mais moderna de tubos de aço de 1.400 milímetros, compreendendo, ao todo, um trecho de 19 quilômetros, permitindo assim que o sistema opere com maior volume d’água transportado para São Luís. Além da substituição dos tubos, itens de apoio à adutora como isoladores (toco) em polietileno reforçado em fibra de vidro, para prevenir acidentes devido à proximidade das linhas de transmissão da Eletronorte, entre outros pontos, foram pensados para reduzir riscos e danos.

Diferentemente da antiga, que carece de operações preliminares de escoamento da água, a nova adutora também facilitará a realização de operações pelo fato de ter recebido, em pontos específicos, válvulas de seccionamento que “represam” a água em partes da adutora, dando mais rapidez na realização de procedimentos, diminuindo, inclusive, prazos para o reabastecimento em caso de liberação pós-manutenção ou consertos, o que antes era ampliado devido ao fato de que a antiga adutora precisava ser esvaziada.

SAIBA MAIS

Mais vazão
A atual vazão da adutora é de 1,8 metro cúbico por segundo e, com as intervenções que estão sendo realizadas, a estrutura passará a ter capacidade de 2,1 metros cúbicos por segundo. Aumento de 30%.

35 anos de operação
Construído em 1982, o Sistema Produtor Italuís é responsável pelo abastecimento de água de 60% dos bairros de São Luís. Mais de 450 mil pessoas da região metropolitana dependem do sistema. A fonte de produção de água é o Rio Itapecuru, com captação localizada nas proximidades da localidade de Timbotiba, no município de Rosário.

Números
19 km
é a extensão da nova adutora do Sistema Italuís
1.500 tubos de aço patinável
12 metros é o comprimento de cada tubo
1,40 metro é o diâmetro de cada tubo
R$ 106 milhões é o valor aproximado do investimento

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