O dia seguinte

Após teto desabar em sala de aula, MP vai apurar situação

Promotor de Justiça Paulo Avelar foi à UEB Darcy Ribeiro na manhã de ontem para ver estado da escola, que deveria ter sido reformada no ano passado, conforme TAC firmado com a Prefeitura; dois alunos e uma professora se feriram na queda do telhado
29/03/2017
Além do telhado de sala que desabou, teto de quadra também pode cair

SÃO LUÍS - O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA), por meio da Promotoria de Justiça Especializada na Defesa da Educação, vai instaurar procedimento para apurar as causas do desabamento de parte do telhado da Unidade de Educação Básica (UEB) Darcy Ribeiro e convocar a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), para prestar esclarecimentos do motivo da não realização de obras de manutenção de urgência na unidade no segundo semestre de 2016, conforme estava acertado entre MP e Semed.

Na segunda-feira, dia 27, logo após o início das aulas do turno vespertino, parte do telhado de uma das salas da UEB Darcy Ribeiro, escola da rede municipal localizada no Sacavém, desabou sobre 30 alunos e a professora, que estavam em sala. Segundo o Corpo de Bombeiros, dois estudantes e a professora ficaram feridos e precisaram ser encaminhados ao Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I), Centro, para atendimento médico.

Ontem, o promotor de Justiça Especializada na Defesa da Educação, Paulo Avelar, esteve na escola para verificar a situação do prédio. Segundo Avelar, será aberta investigação para apurar o motivo da não execução de obras de manutenção de urgência. “Em 2016, quando houve os ataques criminosos e uma parte dessa escola foi incendiada, foi acertado com a Prefeitura de São Luís que a UEB passasse por reparos, mas verificamos hoje que esses reparos não aconteceram”, destacou o promotor.

A Semed será convocada a dar explicações sobre o não cumprimento do acordo firmado com o MP. Além disso, a Promotoria de Justiça Especializada na Defesa da Educação vai instaurar um procedimento para apurar as causas do desabamento do teto. Em nota enviada algumas horas após o acidente, a Semed alegou que o teto desabou em consequência das fortes chuvas registradas no início da tarde da segunda-feira.

Problemas antigos
Também em vistoria à escola, a presidente do Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Municipal de São Luís (Sindeducação), Elizabeth Castelo Branco, informou que desde 2014 a entidade envia ofícios à Semed informando da situação da escola e cobrando providências. “Falta um planejamento a longo prazo para manutenção das escolas municipais de acordo com o grau de comprometimento de sua estrutura e maior fiscalização na execução das obras de reforma, reparos e manutenção”, afirmou.

A presidente do Sindeducação levou consigo diversos documentos que comprovam as tentativas de resolver os problemas da unidade. Em 2015, um relatório feito pelo sindicato foi protocolado na Semed e na Promotoria de Justiça Especializada na Defesa da Educação detalhando, inclusive por meio de diversas fotos, as condições do prédio onde as crianças estudavam. “O telhado não é o único problema da escola. As redes elétrica e hidráulica também estão comprometidas. Outras salas precisam de reparos no teto, além da em que houve o desabamento”, informou.

Sem aulas
Durante todo o dia de ontem, diversos pais, mães e alunos foram até a escola em busca de informações sobre o retorno das aulas, mas nenhum funcionário da unidade os atendeu. A unidade permanecerá fechada, até que sejam concluídas as obras de reforma da unidade. Ainda na noite da segunda-feira, a Prefeitura de São Luís informou que foi determinado o início imediato das obras na unidade e que os estudantes serão transferidos para outro prédio até que as obras terminem.

Após vistoria, promotor Paulo Avelar conversa com pais de alunos

Mas, em entrevista para a Mirante AM na manhã de ontem, o secretário municipal de Educação, Moacir Feitosa, afirmou que a Semed ainda está tentando localizar um espaço na área para abrigar os estudantes. Ainda na manhã de ontem, técnicos da Semed vistoriavam a unidade de ensino. Não foi permitido o acesso de O Estado ao prédio e nenhum deles deu maiores esclarecimentos sobre os procedimentos que serão adotados após o acidente.

Enquanto isso, David da Silva, que tem três filhos matriculados na escola espera que o problema seja de fato resolvido desta vez. “Eu acho que o correto seria a direção da escola e a Secretaria de Educação fazerem uma reunião com todos os pais de alunos para nos dar uma explicação sobre o que será feito. A gente não sabe de nada. Ninguém conversa conosco. Eu moro em frente à escola e vejo a situação dela só piorar com o tempo e ninguém fazer nada para resolver”, disse revoltado.

Mais

Além do teto ter caído na tarde de segunda-­feira, dia 27, a UEB Darcy Ribeiro, localizada no bairro Sacavém, já protagonizou pelo menos mais dois incidentes nos últimos anos. A escola já foi incendiada, roubada e vandalizada. Veja linha do tempo dos acidentes:

- 27 de março de 2016: parte do teto da escola caiu sobre a cabeça de 30 alunos, todos com 11 e 12 anos de idade. Dois estudantes e uma professora ficaram feridos. Um deles teve que ser encaminhado para o Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I), onde ficou em observação por algumas horas.

- 30 de setembro de 2016: na véspera das eleições municipais, a unidade de ensino foi alvo de um atentado. O ataque ocorreu durante a madrugada quando uma sala foi incendiada por criminosos. O teto da sala de aula desabou e, para que os bombeiros pudessem entrar e controlar as chamas, eles tiveram que quebrar parte do teto das salas vizinhas.A sala não foi reformada até agora.

- Janeiro de 2013: os bandidos cumpriram as pichação que havia na parede da escola, onde anunciavam que atacariam o local. Na época, foram levados equipamentos de som, computadores e, ainda, extraviaram documentos em que constam o histórico escolar dos alunos. Até então, era a quarta vez que a UEB virava alvo de vandalismo.

Assista o vídeo:

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