Sem condições

Revoltados com escola destruída, pais fazem protesto

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Eles interditaram a Avenida dos Portugueses, em frente à UEB Rosália Freire, na manhã de ontem, para exigir que seja realizada reforma urgentemente

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Revoltados com escola destruída,  pais fazem protesto
Atualmente, situação da escola está muito pior; janelas e carteiras estão destruídas (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

SÃO LUÍS - Pais de alunos matriculados na Unidade de Educação Básica (UEB) Rosália Freire interditaram a Avenida dos Portugueses, onde a escola fica localizada, durante protesto na manhã de ontem. A manifestação ocorreu por causa das condições de precariedade em que a unidade de ensino está, colocando em risco a segurança dos estudantes. Eles exigem que o prédio seja reformado imediatamente. A Prefeitura de São Luís informou que a unidade de ensino está incluída no plano de recuperação das escolas da rede municipal.

O protesto começou no início do horário de aulas do turno matutino. Mães e pais de estudantes interditaram a Avenida dos Portugueses, no trecho em frente à escola, na Vila Embratel, impedindo o tráfego de veículos durante parte da manhã.

A via foi liberada após intervenção da Polícia Militar (PM), mas os manifestantes permaneceram no pátio da escola durante toda a manhã da segunda-feira. Antes do protesto, os pais se reuniram com os professores e a direção da escola em busca de uma solução para o problema, mas não receberam como resposta nenhuma previsão de melhorias. Por isso, resolveram interditar a via.

A direção da escola não permitiu a entrada de O Estado, mas pelo lado de fora é possível perceber os problemas que causaram a revolta dos pais dos estudantes. Nos fundos, o mato cresce sem poda e quase já não deixa ver o buraco no muro que desabou há pelo menos dois anos e nunca foi reconstruído.

Carteiras estão destruídas (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Da maioria das janelas restaram apenas as caixas, permitindo o acesso de qualquer pessoa à unidade de ensino. Do Circo da Cidadania, onde eram desenvolvidas atividades extracurriculares, sobrou apenas parte da estrutura metálica que sustentava a lona, e muitas carteiras estão jogadas sob o sol e a chuva, em deterioração.

Reclamações
Neto Guterres é pai de um aluno do 4º ano e relata mais problemas da unidade de ensino. “Não tem água nos banheiros, não tem janelas, não tem segurança para os alunos, não tem quadra de esportes. Quando chove, a escola alaga e o forro está para desabar na cabeça das crianças. Meu filho estuda aqui há quatro anos e esta escola nunca teve nem um serviço de reforma neste período. Ela não tem nenhuma condição de ter aulas”, afirma.

Quem também reclama das condições da UEB Rosália Freire é Júlia Graciele Gomes, que tem um filho de oito anos matriculado na unidade e afirma que os problemas da escola não são apenas relativos à estrutura física.

“Meu filho tem problemas de visão, é baixinho, pequenininho e outro dia ele foi jogado na lata de lixo por outros três alunos maiores e a direção não fez nada. Ele passou três dias sem querer vir para o colégio. Os funcionários daqui não estão preparados para lidar com as crianças. A gente reclama e é o mesmo que nada”, diz.

EM 2015, a UEB Rosália Freire já apresentava problemas estruturais (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Problemas antigos
Os problemas de infraestrutura da UEB Rosália Freire já foram denunciados em O Estado. Na edição do dia 29 de novembro de 2015, foi publicado que na madrugada do dia 26 a escola foi invadida e teve os armários arrombados. À época, os professores da escola informaram que a ação dos bandidos foi facilitada pela falta do muro, que desabou e ainda não havia sido reconstruído, e pela fragilidade das janelas, já que muitas delas estavam danificadas e tiveram os buracos tapados com pedaços de madeira, que não ofereciam nenhuma segurança.

Situação já havia sido denunciada em 2015 e só piorou (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Os banheiros estavam em situação precária. Muitos boxes não tinham portas e havia até sanitários sem condições de uso. De lá para cá, os problemas só aumentaram, garante a comunidade.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informa que mais de 50 escolas já foram recuperadas, e que a unidade de ensino citada na reportagem está incluída no plano de recuperação, que contempla manutenção da infraestrutura elétrica e hidrossanitária, retelhamento, entre outras melhorias em sua estrutura física.

SAIBA MAIS

Sem condições
Segundo o Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Municipal de São Luís (Sindeducação), pelo menos 40 unidades escolares de São Luís não têm condições de iniciar o ano letivo 2017 por causa de problemas de infraestrutura.

Números
130 mil
estudantes estão matriculados na rede municipal de ensino
280 escolas compõem a rede de ensino municipal

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