Mais infraestrutura

Moradores da Aurora vão à Justiça em busca de melhorias no bairro

  •  

Eles querem unidades de ensino e de saúde, melhor pavimentação e segurança pública; ontem, conversaram com o juiz da Vara de Interesses Difusos e hoje se reunirão com o promotor de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa

0
Membros da União de Moradores do Bairro Aurora conversam com o juiz Douglas Martins sobre o bairro.
Membros da União de Moradores do Bairro Aurora conversam com o juiz Douglas Martins sobre o bairro. (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

SÃO LUÍS - Moradores da Aurora terão audiência hoje, na Promotoria Especializada na Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, para debater problemas do bairro. Ontem, eles se reuniram com o juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, para discutir os problemas de infraestrutura do bairro e saber como cobrar do poder público a instalação de unidades de ensino, saúde, melhorias na pavimentação e segurança pública. Atualmente, eles reclamam que, por causa da buraqueira das vias, uma das cinco linhas de ônibus que atendiam a comunidade deixou de circular pelo bairro.

Desde o sábado, dia 18, a linha Cohatrac III deixou de circular pela Aurora. A linha era uma das cinco que atendia a comunidade. O motivo da retirada são as péssimas condições de trafegabilidade do bairro e adjacências. São diversas as vias da Aurora que estão esburacadas, alagam em dias de chuva e impedem o tráfego de veículos. Além da falta de pavimentação, a Aurora tem diversos outros problemas de infraestrutura.

Para tentar mudar a realidade, a União de Moradores do Bairro Aurora (Umba) começou uma série de audiências com representantes do poder Judiciário para tratar de outros problemas relativos à falta de infraestrutura da Aurora, que veio à tona no começo deste ano com a tentativa do Governo do Estado de instalar uma Unidade de Ressocialização Fundação da Criança e do Adolescente (Funac), na Rua Frei Hermenegildo.

A luta da comunidade começou dia 4 de janeiro e, após quase um mês de protestos, brigas, barricadas e reuniões que pareciam não dar em nada, mas por fim terminaram com a vitória da comunidade, ficou acertado, em audiência de conciliação no Fórum Desembargador Sarney Costa, no Calhau, que o Governo do Estado tem até o dia 30 de dezembro deste ano para remover a unidade da comunidade.

Conversa
Ontem, representantes da União de Moradores do Bairro Aurora (Umba) voltaram ao fórum para conversar com o juiz Douglas Martins, que mediou o conflito entre moradores e Governo do Estado, para solicitar uma audiência para discutir melhorias na infraestrutura do bairro.

A comunidade reivindica a instalação de uma escola, uma unidade de saúde, asfaltamento das vias do bairro, posto policial e saneamento básico. “A gente quer a garantia de que as políticas públicas vão ser implementadas definitivamente em nosso bairro”, afirma Mário da Silva Lopes Júnior, o Marinho da Aurora, presidente da Umba.

Entretanto, o juiz Douglas Martins explicou que não pode convocar uma audiência, porque o processo que garantiu a não instalação da Funac no bairro não tinha como outros objetos as demais reivindicações da comunidade. “O acordo assinado em janeiro garantia a retirada da Funac do bairro até dia 30 de dezembro, a reforma da quadra de esportes e a manutenção de uma viatura no bairro para garantir a segurança da comunidade. Não tenho como convocar audiência sem que haja algum descumprimento do acordado”, explicou o juiz.

De acordo com Douglas Martins, para que haja audiência judicial para tratar das reivindicações da comunidade é preciso que haja processo tramitando na Justiça. “O Poder Judiciário só age quando provocado. É preciso uma ação tratando do tema para que as partes sejam convocadas em juízo para discutir o assunto e propormos uma solução”, reiterou. Ele sugeriu também que a comunidade provoque o Ministério Público (MP) a ajuizar uma Ação Civil Pública requerendo melhorias na infraestrutura da Aurora.

Hoje, a comunidade tem nova audiência. Desta vez com o promotor Lidonjonson Gonçalves de Sousa, da Especializada na Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa para discutir a questão.

Foi o juiz Douglas Martins e o promotor Lindonjonson Gonçalves de Sousa quem propuseram os termos da conciliação firmada entre moradores da Aurora e o Governo do Estado. Eles aguardam também o agendamento de uma audiência com o promotor Vicente de Paulo Silva, da Promotoria Intinerante.

SAIBA MAIS

A Aurora é um dos bairros centenários de São Luís. São cerca de 20 mil moradores, muitos idosos que ainda lembram de como era a vida antigamente, que sofrem com falta de escolas, hospitais e segurança. Por isso, a população fez questão de incluir na audiência de conciliação ações pertinentes a esses temas. Em mais de 100 anos, o bairro nunca teve uma escola, um único hospital, posto policial, ou nem mesmo uma farmácia, como afirma o morador Raimundo Costa. Fora isso, os moradores ainda têm que conviver, há mais de 40 anos, com a Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) do Anil, que antigamente era chamada de Central de Recolhimento (Cerec). A unidade sempre foi famosa em São Luís pelas constantes fugas, que sempre causam pânico na população. Uma dessas ações resultou na morte de dona Elisabete Raposo Costa, aos 65 anos de idade, quando bandidos invadiram seu quintal e polícia seguiu atrás. As trocas de tiro assustaram a mulher, que era hipertensa e teve um infarto fulminante.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.