Custo de vida

Cesta básica leva mais de 40% do salário mínimo do trabalhador em SL

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Custo dos itens foi de R$ 354,45 em fevereiro na capital maranhense, sendo a manteiga a vilã dos aumentos; no Nordeste, só São Luís e Natal tiveram alta da cesta básica no mês passado

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Itens da cesta básica estão pesando no orçamento do ludovicense.
Itens da cesta básica estão pesando no orçamento do ludovicense. (Foto: Arquivo)

SÃO LUÍS - Apesar da queda na taxa de inflação, o preço dos alimentos continua a pesar bastante no orçamento das famílias ludovicenses. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no mês passado o custo da cesta básica comprometeu 41,12% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários).

Para se ter uma ideia do peso dos alimentos no bolso do trabalhador local, São Luís - e Natal (RN) - registrou aumento no valor da cesta básica em fevereiro entre as 27 capitais. Segundo o Dieese, a alta foi de 0,14% em comparação com janeiro, tendo custado R$ 354,45.

De janeiro a fevereiro, houve aumento no valor médio da manteiga (7,35%), farinha de mandioca (6,03%), tomate (4,26%), café em pó (2,60%), pão francês (2,10%), óleo de soja (1,82%), banana (0,75%), e açúcar refinado (0,28%). Os produtos que apresentaram retração foram: feijão carioquinha (-12,26%), leite integral (-2,34%), e carne bovina de primeira (- 1,56%); já o arroz branco agulhinha não apresentou variação.

Em 12 meses, os produtos que acumularam alta foram: farinha de mandioca (57,07%), manteiga (51,35%), café em pó (25,70%), óleo de soja (13,74%), arroz agulhinha (11,84%), leite integral (11,24%), banana (9,76%), açúcar (8,64%), pão francês (8,10%) e feijão carioca (1,37%). Apenas o tomate (-42,26%) e a carne bovina de primeira (-0,95%) tiveram variação acumulada negativa.

Maior variação

A manteiga foi o item da cesta básica com a maior variação na capital maranhense de janeiro para fevereiro. Oferta restrita do leite, demanda aquecida com o retorno das aulas, excesso de chuvas em algumas bacias produtoras, além dos custos de produção do derivado explicaram a alta nas cotações.

O preço da farinha de mandioca aumentou devido à baixa disponibilidade da raiz, além disso, as fortes chuvas prejudicaram o avanço da colheita em algumas regiões, ao mesmo tempo em que a demanda industrial seguiu em alta.

O valor do quilo do tomate aumentou devido à menor oferta do fruto nas praças produtoras que abastecem a ilha de São Luís. Já a cotação do feijão carioca recuou, por mais um mês. Diminuição da demanda do grão devido aos altos preços praticados, além da baixa qualidade, explicaram a queda dos preços no varejo.

Mais

Cesta x salário mínimo em São Luís

Para atender suas necessidades de alimentação e outras (educação, saúde, lazer, etc), o trabalhador de São Luís, com remuneração equivalente ao salário mínimo, necessitou cumprir jornada de trabalho, em fevereiro, de 83 horas e 13 minutos, maior, portanto, que o tempo necessário em janeiro, de 83 horas e 7 minutos.

Fortaleza tem a cesta básica mais cara do NE

Já a cesta básica mais barata foi encontrada em Recife, no valor de R$ 344,06

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Dieese, aponta que Fortaleza tem a cesta básica mais cara do Nordeste, no valor de R$ 401,91. O resultado ocorre mesmo com a queda nos preços, já que a variação mensal negativa de 2,6% no preço da cesta foi registrada em fevereiro último.

Conforme pesquisa, o fortalezense paga 10,2% mais caro pela cesta. Na região, a referência é de R$ 364,70. Já a cesta básica mais barata foi encontrada em Recife, no valor de R$ 344,06. O Dieese verificou que houve redução de 2,1%, no último mês no Nordeste.

Apenas duas capitais do Nordeste tiveram variação positiva: Natal (0,6%) e São Luís (0,1%). Outras variações negativas foram identificadas em Aracaju (-3,5%), Salvador (-2,9%), João Pessoa (-1,1%), Teresina (-1,2%), Recife (-0,7%) e Maceió (-5,1%).

Conforme o boletim Diário Econômico, publicação do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), a deflação na região se deve às variações negativas no preço da carne (-2,1%, com peso de 28,3% na cesta mensal), do tomate (-6,1%, com peso de 10,2% na cesta mensal); do feijão (-15,7%, com peso de 7,5% na cesta mensal) e do leite (-2,3%, com peso de 6,2% na cesta mensal). Também houve variações positivas nos preços de manteiga (+4,2%), banana ( 3,4%) e óleo ( 2,9%).

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