Equilíbrio

Médico alerta para perigo das dietas hipergordurosas

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Cardiologista Tácio Danilo Pavão diz que o excesso de gorduras saturadas pode resultar no aumento do colesterol no organismo, que está associado a doenças do coração; médico aconselha que haja equilíbrio na alimentação

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Alimentação com excesso de gorduras pode elevar colesterol no organismo
Alimentação com excesso de gorduras pode elevar colesterol no organismo (Foto: Divulgação)

Uma alimentação equilibrada é fator primordial para manter a saúde em dia e evitar uma série de doenças. A ideia, repetida à exaustão por especialistas de diversas áreas, entretanto, logo é deixada de lado por muitos assim que uma “nova” dieta vira o centro das atenções. É o que tem acontecido com a nova leva de estratégias de emagrecimento e promoção da vida saudável – low carb, paleo, cetogênica, etc. – que têm como princípio a restrição de carboidratos e elevação de consumo de gorduras naturais.

O perigo, alerta do cardiologista Tácio Danilo Pavão, da Cardio Check-up, está em seguir rotinas alimentares que não estão adequadas às necessidades de cada pessoa com orientação profissional. Sem saber os limites do próprio corpo, muitos arriscam à saúde reproduzindo dietas seguidas por outras pessoas.

Colesterol

Segundo o cardiologista, o consumo exagerado de gordura saturada está associado ao aumento do colesterol - um lipídeo (gordura) sintetizado pelos animais. É um componente necessário para o organismo, pois participa da estrutura das células, e da síntese de vitaminas e hormônios.

Entretanto, o colesterol alto é um problema de saúde que pode levar às doenças do coração. “O colesterol é o principal substrato do processo de ateromatose, que é a formação de ‘placas’ nas artérias. Elas são as responsáveis pelas ‘isquemias’ cerebrais (AVC), cardíacas (angina e infarto) e periféricas (oclusão de artérias em membros inferiores)”, explica.

Consumo

Para a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Associação Médica Brasileira e a American Heart Association, a recomendação de ingestão total de gordura saturada é de 7% de todo o valor calórico consumido.

“Essas dietas têm o princípio de ingestas muito altas de gorduras, quebrando a proporção recomendada com a ingesta de proteínas e carboidratos. Existe um pouco de radicalismo nessa abordagem ao levar-se em consideração que a ingesta de gordura recomendada pelas Diretrizes está entre 25-35% das calorias totais”, afirma o cardiologista Tácio Pavão.

O médico reafirma que as gorduras fazem parte do corpo humano e existe uma recomendação mínima de quantidade para nossa dieta, mas em excesso as gorduras saturadas continuam sendo prejudiciais.

“É delicado considerar certo ou errado em algumas questões médicas. Como cardiologista e baseado nas doenças que mais matam, as cardiovasculares, posso afirmar que uma dieta com 70% de gorduras, mesmo que a pessoa apresente níveis normais de LDL e HDL ao longo de sua vida, pode evoluir com ateromatose precoce por liberação exagerada de fatores inflamatórios (Interferons e Interleucinas), sem levar em consideração o risco de câncer que esses fatores também aumentam. Então, é importante que as pessoas reflitam sobre a manutenção de dietas com alto consumo de gordura à longo prazo”, comenta.

O emagrecimento saudável está em uma alimentação equilibrada, diz o médico. “Radicalismo e os exageros historicamente não trouxeram bons resultados. Não há vida sem colesterol. Precisamos respeitar as proporções recomendadas para a nossa dieta, priorizando as gorduras insaturadas e ricas em ômega 3”, finaliza.

Existe colesterol ruim e colesterol bom?

“O colesterol, por ser uma ‘gordura’, não é solúvel em água e necessita ligar-se a proteínas para ser transportado no sangue, e essa diferença depende de qual tipo de proteína está ligado. As proteínas de baixa densidade (Low density lipoproteins ou LDL) transportam o colesterol do fígado até as células, iniciando a aterogênese (formação de ‘placa’’) e recebe o nome popular de ‘colesterol ruim’; as de alta densidade (High density lipoproteins ou HDL) ligam-se ao colesterol presente nas paredes das artérias, podendo reduzir esse processo e recebe a fama de ‘colesterol bom’”, explica o cardiologista Tácio Danilo Pavão.

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