Saúde

Com chegada das chuvas, aumenta perigo de doenças

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Dengue, zika vírus e febre chikungunya são causados pelo mosquito Aedes aegypti, que prolifera na água; leptospirose é uma das mais perigosas, provocada pela água contaminada pela urina de ratos

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Crianças com problemas respiratórios ou doenças alérgicas têm sido encaminhadas a hospitais da Ilha
Crianças com problemas respiratórios ou doenças alérgicas têm sido encaminhadas a hospitais da Ilha (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Com o início do período de chuvas, a população fica preocupada com o aumento nos casos de dengue, zika vírus e febre chikungunya. Mas esses não são os únicos problemas de saúde que podem proliferar neste período. Alergias, problemas respiratórios e doenças infectocontagiosas transmitidas pelo contato com a água também podem acometer a população. Entre essas principais doenças está a leptospirose, que pode ocorrer após o contato com a água contaminada com urina de ratos. Doenças respiratórias costumam acometer, principalmente, crianças e idosos.

Nas unidades de saúde das redes municipal e estadual ainda não foi percebido um aumento significativo da demanda de pacientes com doenças sazonais, pois o mês de janeiro ainda está no 12º dia e o período chuvoso na capital ainda não está consolidado, apesar das primeiras chuvas deste ano já estarem mais intensas que no mesmo período de 2016.

A infectologista Maria dos Remédios Freitas, do Departamento de Patologia do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão – Unidade Presidente Dutra (HUUFMA) –, informou que neste período é comum crianças e idosos apresentarem problemas respiratórios como asma, bronquite e pneumonias.

“Com a mudança de temperatura e a umidade, as principais doenças que aparecem são as viroses, que acometem, sobretudo, as crianças, que também ficam muito vulneráveis a alergias. Os idosos, como também têm a imunidade mais baixa, ficam mais vulneráveis”, afirmou.

Transmissão pela água
Mas população deve ficar atenta, sobretudo às doenças transmitidas por meio da água, que no caso de enchentes costumam ficar contaminadas. Entre essas, a principal é a leptospirose, que pode ocorrer após o contato com urina de ratos contaminados com a bactéria leptospira.

“Ao entrar em contato com a pele humana, por meio das águas de inundações, a bactéria pode penetrar no organismo causando sintomas como febre, dores de cabeça e nos músculos e náuseas. Quando não diagnosticada com antecedência, a leptospirose pode levar à morte”, informa a infectologista.

Segundo a especialista, os sinais da doença podem aparecer no dia seguinte após o contato com as águas de chuva ou até depois de um mês. Os primeiros sintomas podem ser febre, dores na cabeça e no corpo, principalmente na panturrilha. Na ausência de tratamento de urgência, alguns casos podem ser mais graves, provocando riscos de insuficiência renal com sangramento nos pulmões.

Assim como a leptospirose, outras doenças podem se manifestar após o contato com águas contaminadas pelo transbordamento de esgoto humano como a Hepatite A, diarreia e febre tifoide, causada pela salmonella typhi, bactéria encontrada nas fezes de animais.

A principal recomendação neste período é evitar ao máximo o contato com a água contaminada e seguir à risca os procedimentos de higiene e limpeza da residência ou estabelecimentos comerciais caso esses locais sejam atingidos pelas enchentes.

Uma forma de evitar alergias, problemas respiratórios e outras doenças em períodos de chuvas intensas é evitar ficar com roupas molhadas por muito tempo, evitar o uso de ventilador, evitar o uso de roupas que estavam guardadas há muito tempo e em caso de qualquer sintoma, procurar uma unidade de saúde.

Como evitar contaminação por água de chuva

  • Não deixe que crianças nadem ou brinquem na água e na lama das enchentes, pois, além do perigo das enxurradas, elas podem ficar doentes.
  • Evite manusear objetos que tenham sido atingidos pela água ou lama. Proteja os pés e as mãos com botas e luvas de borracha ou sacos plásticos duplos.
  • Evite contato com as água das enchentes. Caso isto seja inevitável, é recomendável permanecer o menor tempo possível na água ou na lama.
  • Jogue fora medicamentos e alimentos (frutas, legumes, verduras, carnes, grãos, leites e derivados, enlatados etc.) que entraram em contato com as águas da enchente, mesmo que estejam embalados com plásticos ou fechados, pois, ainda assim, podem estar contaminados.
  • Se sua casa for atingida pela enchente, após o recuo da água providencie a limpeza e desinfecção dos ambientes, utensílios, móveis e outros objetos. Usando luvas, botas de borrachas ou outro tipo de proteção para as pernas e braços (como sacos plásticos duplos), descarte para a coleta pública tudo o que não puder ser recuperado e remova - com escova, sabão e água limpa - a lama que restou nos ambientes, utensílios, móveis e outros objetos da casa.
  • No caso dos utensílios domésticos (panelas, copos, pratos e objetos lisos e laváveis), lave-os normalmente com água e sabão. Depois, prepare uma solução desinfetante, diluindo um copo (200 ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) em quatro copos de água (800 ml). Mergulhe na solução os objetos lavados, deixando-os ali por, pelo menos, uma hora.
  • No caso dos pisos, paredes, móveis e outros objetos, após retirar a lama, lave o local com água e sabão e, a seguir, prepare uma solução diluindo um copo (200ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) para um balde de 20 litros de água. Umedeça um pano na solução e passe nas superfícies, deixando-as secar naturalmente.
  • Lave bem as mãos antes de preparar alimentos e ao se alimentar. Procure beber sempre água potável, que não tenha tido contato algum com as enchentes, e a utilize no preparo dos alimentos, especialmente das crianças menores de um ano.
  • Para garantir que a água é segura para consumo, ferva-a por ao menos um minuto, ou adicione duas gotas de hipoclorito de sódio com concentração de 2,5% (água sanitária) para cada litro de água.

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