Criminalidade

Números revelam alto índice de homicídios dolosos em Imperatriz

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Em 2016, foram 160 casos, superando em 34% o ano de 2015, com 120 assassinatos; maioria dos crimes tem ligação com tráfico de entorpecentes

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Removedores do IML de Imperatriz recolhem o corpo de Elizelda Vieira (detalhe), morta pelo ex-marido
Removedores do IML de Imperatriz recolhem o corpo de Elizelda Vieira (detalhe), morta pelo ex-marido (Foto: Divulgação)

O tráfico de entorpecentes foi uma das principais causas dos homicídios dolosos ocorridos durante o ano passado na segunda maior cidade do Maranhão, Imperatriz, segundo a polícia. Os dados da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) revelam que 160 casos desse tipo de crime foram registrados em 2016, enquanto no ano anterior ocorreram 120 assassinatos, ou seja, um aumento de aproximadamente de 34%.

“A maioria das pessoas mortas no ano passado em Imperatriz tinha passagem pela polícia ou ligação com o tráfico de droga”, disse o delegado Jean Gustavo Algarves, que está respondendo pela DHPP naquela cidade. Ele acrescentou que a maior parte das vítimas era usuária de drogas e tinha dívidas com vendedores de entorpecentes.

O delegado afirmou ainda que a polícia prendeu nove homicidas em flagrante delito no ano passado, assim como 36 suspeitos foram presos mediante mandado de prisão por esse tipo de crime ocorrido nos últimos dois anos. Todos foram ouvidos e encaminhados ao presídio.

Aumento
Jean Gustavo Algarves informou também que, em se tratando de assassinatos, o aumento foi significativo, de aproximadamente 34%, durante o último biênio. Os meses de janeiro, agosto e novembro de 2016 foram os mais violentos, com o registro de 19 casos cada, enquanto maio e julho apresentaram o menor registro de mortes, nove casos em cada um.

Já em abril, foram registradas 17 ocorrências, seguido de fevereiro, com 14; março com 13; outubro com 11, enquanto em junho, setembro e dezembro foram 10 casos em cada mês.
A polícia também registrou no ano passado, em Imperatriz, assassinatos em série. De 18 a 20 de novembro, por exemplo, oito pessoas foram mortas a tiros e a cúpula da Secretaria de Segurança Pública determinou uma equipe da Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP) para investigar esses casos.

Ainda segundo a polícia, as vítimas tinham passagem pela polícia, e as mortes teriam ligação com a venda de drogas. Na noite do dia 18 de novembro do ano passado, o fato se repetiu com oito assassinatos em menos de quatro horas. Antônio Luís Carvalho, o Porcão, de 40 anos, foi o primeiro a ser morto. Ele estava em um bar, no Mercadinho, quando dois homens, de carro, chegaram atirando. A vítima havia sido presa em 2013, acusada de saidinhas bancárias e também por assalto aos Correios, na Avenida Bernardo Sayão.

A segunda vítima foi Thiago Sousa Xavier, de 19 anos, que morreu em sua residência, no bairro da Caema, ao abrir a porta para dois homens não identificados. Já David Henrique Madeira, de 17 anos, foi assassinado em uma rua, na Vila Leandra. Vancley Rosa da Conceição, o Cleytinho, foi morto na Vilinha. Outra vítima, Josivaldo da Conceição Araújo, de 18 anos, foi executado no bairro São José e Jean Aguiar, de 31 anos, no Parque Alvorada.

A sétima vítima, Valdeir Santos Cabral, morreu ao dar entrada no Hospital Municipal de Imperatriz (HMI) depois de ser baleado, no Centro. Ele usava tornozeleira eletrônica. A última vítima, Anderson Magalhães, foi baleada e levada para o hospital da cidade, onde passou por tratamento cirúrgico, mas morreu no dia 20 de novembro.

Mulheres mortas
Dos 160 homicídios dolosos ocorridos em Imperatriz no ano passado, 12 vítimas eram do sexo feminino. Nove delas, segundo a polícia, tinham envolvimento com a venda de droga e três foram vítimas de crimes passionais. Um destes casos foi da ex-gerente do Banco do Brasil na cidade, identificada como Elizelda Vieira de Paulo Alves, de 29 anos.

Ela foi morta no dia 26 de dezembro ao levar um tiro na cabeça em um quarto de hotel, em Imperatriz. A Polícia Civil apontou como o principal suspeito desse crime o ex-marido da vítima, Clodoaldo da Silva Alves, 36 anos. A polícia solicitou a prisão preventiva de Clodoaldo Alves, que foi indiciado por homicídio duplamente qualificado. l

Saiba Mais

Homicídios dolosos em Imperatriz

Janeiro: 19 casos

Fevereiro: 14 casos

Março: 13 casos

Abril: 17 casos

Maio: 9 casos

Junho: 10 casos

Julho: 9 casos

Agosto: 19 casos

Setembro: 10 casos

Outubro: 11 casos

Novembro: 19 casos

Dezembro: 10 casos

Fonte: Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) de Imperatriz

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