Chuva de problemas

Já choveu metade do esperado para o mês de janeiro, em SL

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Em apenas nove dias, choveu 121,5 milímetros, quando a média histórica para o mês é de 244 mm; dois primeiros meses do ano são considerados de transição; ápice do período chuvoso é em março e abril

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Nuvens escuras apontam a possibilidade de mais chuva  durante o dia e a noite em São Luís
Nuvens escuras apontam a possibilidade de mais chuva durante o dia e a noite em São Luís (Foto: Biné Morais / O ESTADO)

Os últimos anos foram de temperaturas elevadas e poucas chuvas em São Luís, mas 2017 promete ser diferente. Pelo menos é o que indicam as primeiras chuvas que caíram na capital nos primeiros dias de janeiro. O volume de chuvas acumulado do dia 1º ao dia 9 já somam quase metade de todo o volume de chuvas normal para o mês. De acordo com o Laboratório de Meteorologia do Núcleo Geoambiental (Nugeo), da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), se a tendência se mantiver, janeiro pode superar a média histórica de chuvas em 2017.

Em novembro de 2016 - durante o Seminário Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima, que aconteceu em São Luís e reuniu representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fez o estudo; do Ministério do Meio Ambiente (MMA); das secretarias de Estado da Saúde (SES) e Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) e outros órgãos -, o meteorologista Márcio Elói, que representava o Nugeo, informou que São Luís vivia um quinquênio de chuvas abaixo da média e, consequentemente, de temperaturas mais altas.

Na média
A média histórica para o volume de chuvas em São Luís em janeiro é de 244 milímetros, e apenas nos nove primeiros dias do ano já choveu 121,5 milímetros, o correspondente a 49,79% do total esperado para o mês.

“Os meses de dezembro e janeiro marcam um período de transição no clima de São Luís, que é quando acontecem as primeiras chuvas, para que a partir de fevereiro, de fato, comece o período chuvoso, que tem seu ápice nos meses de março e abril. Mas este ano já temos observado chuvas mais satisfatórias nos primeiros dias de janeiro, o que é um bom indicador para a climatologia deste ano”, afirma a meteorologista Andréa Santos, do Nugeo.

Como o dia de ontem também foi de muita chuva, a capital já deve ter superado a metade do volume pluviométrico previsto para o mês de janeiro. Entretanto, a madrugada do domingo, dia 8, para a segunda-feira, dia 9, foi o período de maior quantidade de chuva registrado este ano. É o que mostram dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Segundo o instituto, entre 10h do dia 8 e 10h do dia 9, o volume de chuva acumulado foi de 97 milímetros.

Recorde
Este é o maior volume de chuvas registrado em São Luís desde maio de 2015, quando choveu 98,2 milímetros entre os dias 2 e 3 de maio. A maior parte desse volume caiu durante a madrugada em um período de duas horas, quando choveu 64 milímetros em duas horas. Quantidade correspondente a quase 40% da média de chuva para o mês.

Em 2016, durante todo o mês de janeiro choveu cerca de 200 milímetros. “Isto vinha acontecendo porque a Zona de Convergência Intertropical, responsável pelas chuvas, em São Luís, não estava se formando da maneira adequada segundo a climatologia. Então, São Luís vinha tendo anos de chuvas anômalas, pois a formação da zona propiciava a formação de nuvens, mas com pouca precipitação. Neste janeiro de 2017, já temos percebido que a Zona de Convergência Intertropical está bastante ativa”, explica Andréa Santos.

Temperatura
Por causa das chuvas mais frequentes, as temperaturas também têm estado mais amenas em São Luís. A média da máxima registrada até agora varia entre 29ºC e 30ºC. Mas na madrugada do dia 9 foi registrada média mínima de 23ºC, a menor temperatura até agora. “As temperaturas médias são registradas no período do dia e as mínimas durante a madrugada”, esclarece Andréa Santos.

Entretanto, como a capital maranhense fica na Região Equatorial, as chances de registrar temperaturas mais baixas são menores. “Por causa da nossa localização geográfica, a queda de temperatura não costuma ser muito atenuada, embora a população já sinta a diferença. O comum é que durante a chuva a temperatura fique mais amena e logo após as precipitações o clima fique abafado”, frisa a meteorologista do Nugeo.

Transtornos
Entretanto, se a queda na temperatura é comemorada pela população, que aproveita a trégua do calor, por outro lado as chuvas têm causado muitos transtornos em diversas regiões de São Luís. Ainda em dezembro de 2016, quando caíram as primeiras chuvas do período de transição, problemas recorrentes da época voltaram a acontecer como o alagamento de ruas, queda na rede elétrica e nos serviços de TV à cabo e internet e panes em sinais de trânsito.

As chuvas do último fim de semana também fizeram estragos na capital. Na zona rural, rios transbordaram, pontes caíram e casas ficaram alagadas. As fortes chuvas também causaram transtornos no Hospital de Urgência e Emergência Dr. Clementino Moura (Socorrão II), localizado na Santa Efigênia.

Um setor da unidade ficou alagado, causando dificuldades no atendimento aos pacientes. Não foi a primeira vez que uma unidade de saúde municipal passa pelo problema, que já havia ocorrido em abril de 2015.

A nova sede do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no bairro do Filipinho, inaugurada em maio do ano passado, já apresenta graves problemas estruturais e no fim de semana, durante as chuvas que caíram na Ilha, os funcionários foram surpreendidos por uma inundação na sala de operação da frota.

SAIBA MAIS

A Zona de Convergência Intertropical
As poucas chuvas dos últimos anos em São Luís aconteceram devido à pouca atividade da Zona de Convergência Intertropical. Trata-se da área que circunda a Terra, próximo à Linha do Equador, na qual os ventos originários dos hemisférios norte e sul se encontram. Variações na localização desse sistema metereológico afetam o volume de chuvas em muitos países dessa região do planeta. Em São Luís, a Zona de Convergência Intertropical é responsável por mais de 70% das chuvas. Para que ela se forme e garanta volumes de chuva dentro da normalidade, é preciso que as águas do Atlântico Sul estejam mais quente que as do Atlântico Norte. O que não vinha ocorrendo desde 2016, resultando na irregularidade das chuvas na capital.

Chuvas em janeiro
A última vez que o mês de janeiro ultrapassou a média histórica de chuvas foi em 2011, quando choveu 465,4 milímetros. Em 2012, no começo da série anômala na climatologia, foram apenas 100 milímetros.

Números
244 milímetros
é a média histórica de chuvas em São Luís no mês de janeiro
121,5 milímetros foi o volume de chuvas registrados na capital nos primeiros nove dias do ano
200 milímetros foi o volume de chuvas em janeiro de 2016

Médias históricas das chuvas em São Luís
Janeiro – 244,2 milímetros
Fevereiro – 373 milímetros
Março – 428 milímetros
Abril: 476 milímetros
Maio: 316,5 milímetros
Junho: 173,3 milímetros
Julho: 131,1 milímetros
Agosto: 29,4 milímetros
Setembro: 23,3 milímetros
Outubro: 7,6 milímetros
Novembro: 10,5 milímetros
Dezembro: 77,4 milímetros

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