Chuva de problemas

Chuvas causam estragos na zona rural de São Luís

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Buracos ficaram cheios de água, prejudicando mais ainda o trânsito; uma ponte desabou e o lixo se acumulou em rio, causando transbordamento

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Chuvas causam estragos na zona rural de São Luís
Cobertos por água, os enormes buracos da Estrada da Mata se transformam em lagoas e atrapalham trânsito (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Choveu! E com a chuva os problemas de infraestrutura mostraram a sua cara pela Ilha de São Luís. E se na área urbana os moradores se preocupam com semáforos apagados, alagamentos e buracos no asfalto, na zona rural, rios transbordam, pontes caem e a lama invade dezenas de casas. E o pior é que isso ocorre há vários anos, sem que nenhum órgão do poder público faça alguma obra que resulte em um benefício duradouro. “Aqui a gente só tem de ter fé que as coisas vão melhorar. Se não tivermos fé, não vamos para lugar nenhum”, afirmou Francisco Daniel Gomes, que mora às margens do Rio Jeniparana, na Estrada da Mata.

O problema de Daniel Gomes já começa na estrada. Toda a rua é permeada por grandes buracos. São crateras capazes de engolir um ônibus inteiro. Tanto que muitos motoristas dos coletivos, principalmente os que dirigem os veículos mais novos e com ar-condicionado, não se aventuram a enfrentar a rua e voltam do meio do caminho. Com a chuva agora, a situação se tornou ainda pior, porque os buracos se encheram de água, virando um verdadeiro lago.

Lixo se acumula de um lado do bueiro sobre o Rio Jeniparana (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Derrubada
A chuva também trouxe a cheia do Rio Jeniparana. O rio passa por dutos embaixo da avenida, numa espécie de ponte. Durante a noite, a força das águas foi tanta que derrubou uma parte dela, justamente o pedaço que servia de separação entre as casas e a margem. Ontem pela manhã, o que se via eram os enormes pedaços de concreto jogados no leito, junto de um monte de lixo.

O lixo, aliás, é um grande problema para os moradores da beira do rio e do bairro conhecido como Vila Jeniparana. Pelo menos uma vez por mês, eles têm de se juntar para fazer a limpeza do rio, senão as tubulações são entupidas e o leito transborda, invadindo a casa.

Ponte caiu do outro lado (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

A chuva que caiu durante a madrugada forçou todo mundo a acordar cedo e correr para limpar tudo. “Vem lixo de tudo quanto é parte e de todo o jeito. A gente já não sabe mais o que fazer”, afirmou Paulo Silva, cuja casa foi invadida por água durante a madrugada, por causa das chuvas.

Segundo contou, ele e os vizinhos ficaram desde o amanhecer até por volta das 10h recolhendo lixo das margens e do leito do córrego. Para evitar que a situação ficasse pior com o decorrer do dia, e com mais chuva caindo a cada hora.

Mais buracos
Outros bairros perto da Estrada da Mata também sofrem com a buraqueira, que ficou mais evidente com as chuvas que caíram na Ilha no domingo e ontem.Vila Cafeteira, Vila Kiola, Residencial José Reinaldo Tavares, Mata, Jardim Tropical, entre vários outros. Todos eles situados em uma zona cinza, na divisória entre os municípios de São Luís e São José de Ribamar.

Moradores do Residencial José Reinaldo Tavares e Mata, dois bairros separados pela Estrada de Santana, sofrem com a cheia de um pequeno córrego. Quando chove, as ruas ficam completamente alagadas. A água invade as casas e comércios e traz prejuízos para todo mundo.

Estrada de Santana não tem asfaltamento, e buracos ficam maiores com as chuvas que atingem a região (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Eliomar de Jesus, que mora na região, conta que a Prefeitura de São José de Ribamar até que ajudou um pouco com a construção da ponte, mas a falta de consciência da população, que insiste em jogar lixo no riacho, causa o entupimento do canal e prejudica todo mundo. “Eles fazem a parte deles, e nós temos de fazer a nossa. A gente tem de ajudar a Prefeitura. Se não ajudar, não vai melhorar”, afirma Eliomar de Jesus.

O empresário Ednilson Ribeiro critica também a falta de infraestrutura no local. Conforme explica, a Estrada de Santana, principal via da região, e as ruas adjacentes, não possuem asfalto. Além disso, a ponte foi malfeita, o que facilita o transbordo do córrego, por causa do lixo acumulado. “Tem dias que as crianças não podem nem ir pra escola, porque não dá para passar por aqui”, afirma.

SAIBA MAIS

Em seu site, a Prefeitura de São José de Ribamar ressaltou que desde os primeiros dias do ano iniciou várias ações, entre elas a recuperação de dezenas de vias e um mutirão de limpeza e iluminação públicas em todas as regiões administrativas do município. Foram iniciadas sete frentes de trabalho em ruas e avenidas, numa megaoperação de tapa-buracos, em grande parte delas com pavimentação asfáltica.

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