Protesto

Desesperados, moradores da Aurora temem unidade da Funac no bairro

  •  

Ontem, uma dezena de adolescentes infratores foi transferida para a casa alugada pelo Governo do Estado para abrigá-los; os moradores já fizeram várias manifestações contra a instalação da unidade no bairro

0
Desesperados, moradores da Aurora temem unidade da Funac no bairro
Dezenas de policiais militares se mantiveram em frente à nova unidade da Funac, durante protesto de moradores (Foto: De Jesus / O ESTADO)

Moradores do bairro Au­rora, em São Luís, não sabem mais a quem recorrer. De acordo com eles, ontem pelo menos uma dezena de adolescentes, em cumprimento de medidas socioeducativas, já teria sido transferida para um imóvel localizado no bairro. O local foi alugado pela Fundação da Criança e do Adolescente (Funac) para a instalação de um anexo de uma unidade das Casas da Juventude, mantidas pelo Governo do Estado para a ressocialização de adolescentes.

Os moradores não querem a instalação da unidade na região, alegando que o ato prejudicará toda a vizinhança de um bairro tranquilo. Durante todo o dia de ontem, eles fizeram protestos e foram confrontados por policiais militares, enviados para garantir a segurança da casa.
Pela manhã, os moradores dos imóveis resolveram colocar faixas pretas nas frentes de seus imóveis para chamar a atenção do Governo do Estado e mostrar que eles não querem a instalação da unidade bem ao lado de suas residências.

Descaso
Segundo Mauro Silva, morador da avenida, o bairro hoje não tem nenhum aparelho público, seja do Governo ou da Prefeitura, ou seja, não tem hospitais, creches, delegacias. Só isso já demonstraria o descaso com a localidade. “Agora, na primeira vez em que resolvem instalar alguma coisa no local, é justamente uma unidade dessas”, disse, se referindo à unidade da Funac.

De acordo o relatório de atividades da Funac, a unidade na Aurora tem capacidade para 17 adolescentes e foi planejada para contornar um problema de superlotação nas outras unidades de internação da cidade. O prédio foi alugado e começou a ser adaptado em 2015, mas as manifestações populares atrasaram o processo.

O principal medo da população é com relação à periculosidade dos internos da unidade. Mauro Silva frisou que a experiência realizada no Vinhais, com o Centro da Juventude Canaã, tem provado que colocar esse tipo de instalação em áreas urbanas causa apenas prejuízos. “Já vivemos com medo por causa da unidade da CCPJ [Centro de Custódia de Presos de Justiça], que fica aqui perto. Agora, temos isso”, afirmou.

Raimundo Costa, outro morador, ressaltou que eles não são contra ressocialização ou contra a instalação da casa, mas não a querem em seus quintais. Ele ainda contou que conseguiram uma audiência com o governador Flávio Dino, onde pediram que ele revogasse a implantação da unidade. Segundo Raimundo, Dino teria afirmado que enquanto fosse o governador, nem Deus iria tirar o Centro de Socioeducação da Aurora.

Nas casas dos moradores, faixas mostram a insatisfação com a unidade (Foto: De Jesus / O ESTADO)

Desvalorização
Os moradores também ressaltam que a instalação de uma unidade de socioeducação bem ao lado de suas casas causará a desvalorização dos imóveis. Hoje, uma residência de um dos lados de onde será a unidade já está com a placa de venda.

Do outro lado, está sendo construído um condomínio residencial. Mas o proprietário teme que ele seja prejudicado no empreendimento ond e já investiu mais de R$ 6 milhões.

Nota
No fim de dezembro de 2016, a Funac emitiu uma nota em que reiterava a decisão do governador Flávio Dino em favor da instalação da unidade. Na nota, a Fundação ressaltou, também, que os locais de instalação das unidades seguem parâmetros técnicos específicos e resguardam o direito à convivência familiar e comunitária dos adolescentes em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

SAIBA MAIS

Os moradores do bairro Aurora ainda criticam o fato de que as obras de adaptação do prédio para a instalação da Unidade de Socioeducação não seguiram os processos de publicidade que se espera em casos de obras públicas. Neste caso, não existe nenhuma placa identificando o que está sendo feito no prédio, que é alugado. Além disso, de acordo com a população, durante vários meses, os trabalhadores frequentavam a obra apenas no período da noite.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.