SÃO LUÍS
Som da Semana

Veja entrevista com a banda de stoner rock Gallo Azhuu

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Conheça os bastidores de uma das bandas mais excêntricas de São Luís.

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A banda atualmente divulga o álbum Totem, lançado no ano de 201
A banda atualmente divulga o álbum "Totem", lançado no ano de 201 - Foto: Rogério Sousa

SÃO LUÍS - O tempo parece ser um forte aliado do trabalho da banda maranhense de heavy/stoner rock Gallo Azhuu. O quarteto composto por Patrick Abreu (voz e guitarra), Ruan Cruz (guitarra, violões e teclados), Rafael Almeida (baixo) e Denis Carlos (bateria) cresce significativamente a cada ano que se passa, tanto no cenário maranhense quanto em sua repercussão pelo Brasil afora.

A banda atualmente divulga o álbum "Totem", lançado no ano de 2015. Calibrado com um um rock n’ roll de primeiríssima qualidade - o qual vale a pena ser ouvido em alto e bom som - e norteado por "riffs" intrincados, baixo pesado e bem timbrado, solos de guitarra que lembram as grandes bandas dos anos 70, a musicalidade da banda mistura o clássico e o moderno. Enfim, o cheiro da estrada deserta, da fumaça saindo dos escapamentos e o ronco dos motores define o grupo, pois se o Black Sabbath nascesse na capital maranhense ele se chamaria, sem sombra de dúvidas, Gallo Azhuu.

O vocalista Patrick Abreu, conhecido por ser um entusiasta da música pesada de São Luís, conversou com o Imirante.com e falou sobre a produção musical, gravações de projetos audiovisuais e também sobre o cenário local. Veja:

1. De acordo com com a biografia da banda, o nome Gallo Azhuu vem de uma união cósmica-casual do animal galo (Gallus gallus domesticus) com a primeira cor azul. Os temas abordados nas letras das músicas também permeiam entre o universo psicodélico e surreal? Qual a inspiração da banda para as composições?

Gallo Azhuu - Primeiramente "Fora Temer" e obrigado pelo espaço dado à Gallo Azhuu e a todas as bandas do Maranhão para falar sobre seus trabalhos. As letras da Gallo sempre tiveram esse tom, mas agora estão ficando cada vez mais surreais. A ideia é quase como ficção científica, falar do que não existe pra falar do que existe. Isso é uma tradição tanto do rock clássico quanto da psicodelia nordestina dos anos 1970. Como as letras são em português, isso permite várias interpretações, por causa do sentido da palavra, da pronúncia.

Otília Ribeiro (cantora da cena de São Luís) entendia o trecho da música Paralaxe “o campo era limpo” como “o cão paralítico”. Para minha irmã, Baile de Búfalo faz ela imaginar um cara viajando no submundo dos espíritos, encontrando vários perdidos no umbral. Aliás, a inspiração para as composições vai desde história de espírito, até pesadelo e coisas estranhas das ruas. Uma frase aleatória fora de contexto pode ser um começo também. Acho que isso é normal. Ah! A união do Gallus gallus domesticus não foi casual, Eles planejaram tudo.

2. O álbum "Totem" rendeu boas críticas e chamou a atenção da mídia especializada de todo o Brasil. Como foi o processo de produção do disco?

Gallo Azhuu - Foi bem divertido! Primeiro a bateria, depois cordas, por último os vocais, solos e outros arranjos. Ruan Cruz (guitarrista da Gallo, produtor do “Totem” e dono do Estúdio KM4 Produções) nos deu total liberdade de criação no estúdio, o que é fundamental. A gente tinha referências de como o som soaria, mas isso não engessou o processo e nem simplesmente copiamos sonoridades.

O estúdio fica na BR, na Vila Esperança, o clima meio rural também influenciou na gravação e mixagem. Muita gente falou que o som da banda mudou do primeiro disco Gallo Azhuu para o "Totem", mas a verdade é que duas ou três músicas do "Totem" já existiam há muito tempo. Já sobre o resultado, a banda esperava que o álbum repercutisse sim de alguma maneira. Isso significa muito pra gente, essa coisa de engrossar a lista de bandas do Maranhão reconhecidas nacionalmente, porque todo o trabalho da Gallo e acredito que de todo o rock/metal do Maranhão é independente no sentido de contar basicamente com a força de vontade e o investimento das próprias bandas, além do apoio de quem curte o som.

Quando o “Totem” foi resenhado no site Collectors Room e entrou na lista de melhores de 2015 no Van do Halen, foi sensacional, porque são sites de música considerados, conheci várias bandas novas através desses sites, e então nosso som estava lá pra outras pessoas sacarem. Se eu fosse dar uma dica pras bandas que querem ampliar o alcance do seu som, digo as bandas de verdade, bandas que querem fazer som, movimentar e revigorar a cidade, e não ser estrela nem sapo na lagoa, é acreditar e fazer som, independente de críticas negativas ou positivas e independente dos clássicos favorecimentos tradicionais do contexto cultural maranhense, que deve ser combatido e exterminado mesmo. O rock e o metal não têm o direito de compactuar com mentalidade atrasada. No fundo, no fundo, o trampo das bandas que também repercutiram e repercutem fazem parte de uma história que não começou ontem e cujo sentido a gente talvez só saiba no futuro.

3. Potencializar a divulgação de um trabalho autoral maranhense e colocar a banda na estrada saindo da região Nordeste para outros lugares nem sempre é uma tarefa fácil. Vocês encontram alguma dificuldade nesse sentido?

Gallo Azhuu - Um planejamento facilita tudo quando se trata de uma banda com quatro integrantes para conciliar trabalho, família e viagens. O desafio é mais nesse sentido, de se planejar.

4. A Gallo Azhuu lançou este ano uma versão em stoner rock da clássica marchinha "Ta-hi (Pra você gostar de mim)", música imortalizada na voz de Carmem Miranda. A banda possui inspirações que vão além da vertente do rock? Como surgiu a ideia de gravar essa canção?

Gallo Azhuu - Essa ideia foi do Denis (baterista da Gallo) e Ruan (guitarrista e produtor da banda), e olha que eles nem fumam. Fomos convidados para um show de rock durante o carnaval e surgiu essa versão, que era a princípio para ser tocada somente no evento. É nosso primeiro cover, ou versão, porque sempre fomos contra mesmo isso de cover. Temos inspirações que vão além da vertente rock e além até do sistema solar (risos). Escutamos desde bandas clássicas, do começo do heavy metal, como Black Sabbath, Thin Lizzy, Wishbone Ash, Motorhead, Rush, Grand Funk Railroad e vamos até as novas bandas que descobrimos todo dia.

O blues rock argentino dos anos 1970 (salve, Fabian! Salve, Jair!), as letras de Zé Ramalho e Alceu Valença também fazem parte da influência musical. Mas tudo é inspiração, muito além da música, que é o resultado das várias experiências de audição e de vida de cada integrante.

5. Um dos destaques na carreira da Gallo Azhuu foi o lançamento do clipe "Bruxa" onde um ritual Wicca é representado nas gravações. É verdade que a produção de um videoclipe é um dos trabalhos mais desafiadores de toda banda?

Gallo Azhuu - Aqui em São Luís as bandas estão bem acompanhadas, já existem empresas de vídeo talentosas atendendo várias bandas. E além do clipe tradicional, o lyric vídeo é outra opção de meio de divulgação do som. E sim, é bem desafiador. Às vezes são vários dias inteiros de gravação para alguns minutos de música. Espero que o próximo vídeo seja mais simples (risos nervosos). Mas um clipe ainda é sem dúvida estrategicamente importante na divulgação de uma banda. “Bruxa”, por exemplo, faz parte do DVD Roadie Metal, o primeiro DVD de clipes da história do metal nacional, ao lado de mais de 30 bandas de vários estilos e vários estados.

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